Requião acusa Abril de fazer remessas ao exterior por CC-5
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terça-feira, 28 de setembro de 1999
Por César Felício 
Brasília, 29 (AE) - O senador Roberto Requião (PMDB-PR) quebrou hoje, em discurso no plenário do Senado, o sigilo bancário da Editora Abril. O senador pemedebista leu uma carta do procurador da República em Cascavel (PR), Celso Antônio Três, lembrando que a Editora Abril fez remessas ao exterior usando contas CC-5. A informação, protegida pelo sigilo bancário e que só poderia ser revelada em caso de relevante interesse público, de acordo com decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF), foi enviada para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro, que recebeu uma listagem de todas as operações de remessa de recursos sem identificação de origem para o exterior em junho. No discurso, Requião afirmou que a Abril e as empresas coligadas remeteram US$ 260 milhões ao exterior nos últimos sete anos.
"É fundamental que o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, verifique de que forma e por onde desapareceram por contas CC-5 US$ 260 milhões da Editora Abril", disse Requião. Há duas semanas, a Revista "Veja", publicada pela Editora Abril, publicou a notícia de que a mulher do senador, Maristela Requião, teria enviado recursos equivalentes a R$ 100 mil ao exterior.
O senador justificou a remessa afirmando que a mulher recebeu um apartamento de herança, vendeu-o e resolveu aplicar os recursos comprando dólar. Maristela teria entregue um cheque administrativo à corretora de câmbio Sigla, e teria sido a casa de câmbio, e não a mulher de Requião, que enviou os recursos para fora do País. Desde então, o senador vêm fazendo uma intensa movimentação contra a revista e a Editora Abril.
Ele propôs uma CPI para investigar os negócios imobiliários do grupo editorial. Exaltado, Requião ameaçou hoje "chicotear" o dono da Editora Abril, Roberto Civita. " Se eu não conseguir resolver isto pelos meios jurídicos, eu vou resolver a chicotadas, com o chicote na mão, feito Cristo com os vendilhões do templo", disse o senador.


