Columbia, 16 (AE) - Num debate, terça-feira à noite, o governador do Texas, George W. Bush, demonstrou estar muito mais confiante do que alguns meses atrás, quando iniciou sua campanha para as próximas eleições presidenciais dos Estados Unidos.
Mas seu futuro ainda está em risco e será definido sábado, numa prévia no conservador Estado da Carolina do Sul.
Bush, o pré-candidato do Partido Republicano que conta com o apoio da máquina partidária e com o maior volume de contribuições financeiras para sua campanha, tem como principal adversário o senador John McCain, do Arizona.
Veterano da Guerra do Vietnã e parlamentar há 17 anos, McCain tem conquistado votos dos independentes e de pessoas que normalmente votariam no Partido Democrata, mas estão desiludidas com os escândalos do governo do presidente Bill Clinton.
A prévia de sábado testará a força de McCain e de Bush. Por isso, o debate foi marcado por uma troca de farpas. Bush disse que se sentiu ofendido por uma propaganda da campanha de McCain, comparando-o a Clinton. "Esse é o golpe mais baixo que você pode dar numa prévia republicana", disse o governador.
Mas McCain também disse estar ofendido. Ele lembrou que um veterano, simpatizante de Bush, o acusou de ter abandonado os veteranos de guerra.
"Não sei se você entende isso, George, mas isso dói. Isso realmente dói", disse o herói da Guerra do Vietnã. "E você deveria estar envergonhado." Bush rebateu que não era responsável pelas palavras ditas por outros.
No fundo, Bush e McCain queriam o mesmo. Cada um tentou demonstrar que era diferente de Clinton, mas capaz de unir republicanos e democratas em torno de causas comuns: melhor educação e saúde, e menos impostos.
Do debate também participou o ex-embaixador Alan Keyes - o único negro e o mais conservador de todos. Apesar de não ter chances nas eleições, ele serviu para apontar as contradições de ambos. Tanto Bush quanto McCain, por exemplo, são contra o aborto. Mas ambos abrem exceções em casos de estupro e incesto, sabendo que uma posição conservadora demais assustará o eleitorado de Estados mais liberais, como a Califórnia.
Em política internacional, demonstraram ter posições parecidas: querem que a capital de Israel seja Jerusalém, estão preocupados com o novo governo da Rússia e com "Estados terroristas". Mas McCain mostrou ser o mais intervencionista de todos.

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