Washington, 03 (AE-REUTERS) - Depois do recesso iniciado há uma semana, o tribunal instalado no Senado para julgar o impeachment do presidente americano, Bill Clinton, retoma amanhã (04) suas sessões, nas quais decidirá os próximos passos do processo.
Os senadores devem determinar se atendem ao pedido do deputado republicano Henry Hyde, líder da comissão de parlamentares que atua como promotora no julgamento, para que a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky, o amigo de Clinton Vernon Jordan e o assessor da Casa Branca Sidney Blumenthal voltem a testemunhar no processo, desta vez, em audiências abertas.
Os três depuseram de segunda-feira até hoje a portas fechadas, diante dos promotores e dos advogados de Clinton. Os testemunhos foram gravados em videoteipe e apresentado aos senadores que se dispuseram a ouvi-los.
Congressistas dos dois partidos coincidiram em afirmar que os depoimentos não trouxeram nenhuma novidade sobre o caso, dando a entender que uma nova convocação dificilmente seria aprovada pelo plenário.
Os senadores votarão também, amanhã, se autorizam ou não a divulgação pública da transcrição ou das fitas dos depoimentos.
"Depois de assistir a 3 horas e 40 minutos do depoimento de Monica, não creio que ela ainda tenha algo novo para oferecer ao debate sobre o tema", declarou o senador republicano Charles Grassley, adiantando que votará contra a nova convocação.
"(A exibição) é mais longa do que a de Titanic e a trama é um pouco mais tediosa", ironizou outro republicano, que não quis ter seu nome divulgado, sobre o vídeo do testemunho de Monica, exibido para os senadores na terça-feira. "Além disso, não pudemos levar sacos de pipoca para a sala."
Embora tenham a maioria no Senado (55 cadeiras), os republicanos não têm os dois terços de votos (67 do total de 100) exigidos para destituir Clinton pelas acusações de perjúrio e obstrução da Justiça, delitos supostamente cometidos para ocultar a natureza sexual do relacionamento do presidente com Monica.
Se não houver novos testemunhos, a sentença deve sair até o dia 12.
. Pesquisa do New York Times/CBS mostra que a maioria dos entrevistados acredita que o voto de destituição da Câmara foi um castigo suficiente para o presidente Clinton e apóia uma moção de censura contra o mandatário.
Dois terços afirmam que os republicanos da Câmara e do Senado prejudicaram a imagem do partido no manejo do processo contra o presidente Clinton.

mockup