"República australiana" é o sonho de muitos imigrantes
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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Frances Thompon 
Sydney, Austrália (AE-AP) - A imigrante iraniana Susan Ghaemi viveu na Austrália por quase 10 anos antes de se tornar uma cidadã deste país. Não foi o caso de falta de amor por seu novo lar que fez com que Ghaemi adiasse sua decisão por tanto tempo. A questão é que, ao tornar-se uma cidadã, ele teve que jurar lealdade a um monarca estrangeiro.
Um dos tardios elos entre a ex-metrópole colonial, Grã Bretanha, obriga que os imigrantes que se tornam cidadãos australianos jurem lealdade à rainha Elizabeth II, a chefe de Estado oficial do país.
"Eu realmente odiei ter de fazer isso porque os britânicos não são populares no Irã e são associados com a exploração do Irã e através do Oriente Médio", diz Ghaemi.
Das cerca de 20 milhões de pessoas que vivem na Austrália, 23% nasceram no exterior. Quando os australianos votarem no dia 26 para decidir que o país deve ter seu próprio presidente como chefe de Estado e tornar-se uma república, Ghaemi , como muitos outros imigrantes, votarão "sim".
Ano passado, a Federação dos Conselhos da Comunidades Étnicas da Austrália, um grupo nacional que reúne várias organizações de imigrantes, sancionaram enfaticamente a proposta de mudança para uma república.
Randolph Alwis, presidente da federação, disse que a monarquia britânica é vista como monocultural, um tapa na cara da diversidade cultural e da mistura multirracial da Austrália.
"Nós todos sabemos que a monarquia apóia um certo grupo", diz Alwis. "Isso não reflete a diversidade e traz preconceitos contra mulheres. É chegada a hora de termos um chefe de Estado".
A Austrália tornou-se independente em 1901, mas como muitas nações do Commonwealth, continua a reconhecer a monarca britânica como chefe de Estado.
Pelo novo sistema proposto, o presidente será eleito pela maioria de dois terços do parlamento. O trabalho continuaria a ser o mesmo, em sua maioria funções cerimoniais, da mesma maneira que a rainha vem até o momento representando a Austrália.
A população de imigrantes da Austrália veio de todas as partes do mundo. Mais da metade de seus habitantes nascidos no exterior são europeus, um quarto são asiáticos e outros vieram da áfrica e do Oriente Médio. Thiam Ang, um descendente de malaios e chinese acha que um presidente iria promover a integração.
Para ser o chefe de Estado sob o sistema atual, ele diz, você tem que ser britânico, anglicano e membro da casa real de Windsor.
Nem todos os imigrantes, porém, estão do mesmo lado da questão. Abraham Constantin, presidente do grupo chamado Não à República de Diversidade Cultural, diz que muitos migrantes gostam da Austrália como ela é e não querem nenhuma mudança.
"Na Austrália, foi um caso do tipo: nós chegamos, nós vimos, nós ficamos", disse Constantin ao jornal The Sydney Morning Herald.
Mas, para Ghaemi, a mudança é crucial. Não era até o primeiro-ministro Paul Keating levantar a proposta da Austrália tornar-se uma república no início dos anos 90. Foi então que ela decidiu engolir seu orgulho e fazer o juramento necessário para a cidadania. "Eu que jurar minha fidelidade ao povo da Austrália", disse ela. "A Austrália é a minha casa".


