Repsol oferece US$ 13,5 bilhões pela YPF
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 30 (AE) - A agressividade dos espanhóis nos negócios na América Latina parace não ter fim. Depois das incursões da Telefônica (telecomunicações), Endesa (energia) e Santander e Bilbao Vizcaya (bancário), chegou a vez da Repsol. A maior companhia de petróleo da Espanha ofereceu, por meio de um Oferta Pública de Aquisição (OPA), US$ 13,437 bilhões por 85% 01% da argentina Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), da qual já controla 14,9%. Com isso, a Repsol entraria para o grupo das dez maiores companhias de petróleo do mundo. A oferta, feita ontem à noite depois do fechamento das bolsas de Nova York e de Buenos Aires, supõe US$ 44,78 por ação, ou 25,4% acima da cotação atual da maior companhia privada argentina listada na Bolsa de Buenos Aires.
A Repsol já controla 56% da Astra, a segunda companhia de petróleo da Argentina. Para financiar a oferta feita pela YPF
a companhia espanhola vai receber um empréstimo de US$ 15,5 bilhões de um consórcio de bancos compostos pela Goldman Sachs, Merril Lynch, BBV, la Caixa, CitiGroup e UMS.
O Goldman Sachs - banco de investimentos com o qual trabalha a Repsol - e o Merril Lynch foram os que "desenharam" a operação, informam hoje com amplo destaque os jornais El País (espanhol) e Clarín (argentino). Quando a ofertar terminar, a Repsol vai realizar uma emissão de ações conversíveis no valor de cerca de US$ 6,5 bilhões.
O grupo espanhol espera obter também US$ 2,7 bilhões pela venda de ativos estratégicos da YPF e poupar cerca de US$ 2 bilhões no plano de investimentos no período 1999/2000. Dessa forma, prevê reduzir a relação dívida líquida/capitalização de 70%, no final de 1998, para menos de 50% até o final do ano 2002.
A concretização da operação daria lugar à 9ª empresa do setor de petróleo do mundo, com reservas de 4,3 bilhões de barris e uma produção diária superior a 1 milhão de barris. A Repsol, segundo o El País, encontra-se em uma posição muito boa nas áreas comercial e de refinação de petróleo. Com a aquisição da YPF, a companhia espanhola eliminaria uma de suas carências, a de exploração de cru e de reservas, na qual a companhia argentina é três vezes maior.
De acordo com o jornal, a Repsol entraria no clube dos maiores, embora longe ainda da Exxon Mobil, Shell e BP Amoco, mas passaria a ser a maior da América Latina. A meta do grupo na área de exploração e de produção é chegar a um crescimento anual de 5% até o ano 2002 e estruturar as operações de tal forma que sejam rentáveis até uma hipotética "situação limite" de queda dos preços do petróleo a US$ 7 o barril.
A Repsol quer ainda que, até o ano 2002, os seus postos de gasolina e de serviços aumentem em 50%, principalmente no Brasil, Colômbia e Peru. Na área de gás natural e de gas liquefeito de petróleo, o objetivo de crescimento é de 24% anual.


