Repsol assegura 98,2% do controle da argentina YPF
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 24 (AE) - A espanhola Repsol assegurou ontem à noite o controle acionário da argentina YPF, depois de ter adquirido 83,24% das ações da companhia argentina. Com os 14,9% adquiridos no início deste ano, por US$ 2,01 bilhões, a Repsol passa a deter agora 98,2% da YPF. Em comunicado distribuído à imprensa veiculado hoje pela Internet, a Repsol informa que os dados da oferta pública de aquisição de ações (OPA), concluída ontem "com sucesso", ainda são provisórios.
A OPA, lançada há menos de dois meses, previa a aquisição de 85,01% das ações. O montante da operação foi de US$ 13,158 bilhões, o que equivale a US$ 44,78 por ação pagos pela companhia espanhola aos acionistas da YPF. "A Repsol se encontra em um momento histórico, já que deu um grande salto para transformar-se em uma das maiores companhias do mundo", disse o presidente executivo, Alfonso Cortina. Com a operação encerrada ontem, a Repsol fica entre as 10 maiores companhias de petróleo do planeta em termos de tamanho. Passa a ser a 9ª em produção de gás e a 5ª em termos de resultado operacional.
Desde que a Repsol lançou a OPA, no dia 30 de abril, até ontem, as ações da YPF valorizaram 22,6%. As ações da Repsol na Bolsa de Madri subiram ontem 3,85%. Entre outras empresas na Argentina, a Repsol controla a petroleira Astra, a Eg3, a Pluspetrol e uma dezena de companhias energéticas. Para evitar conflitos no país, onde já começou a ser acusada de monopolizar o setor, a Repsol decidiu vender parte de sua rede de distribuição de combustíveis e parte de suas reservas de gás.
A expectativa de lucro líquido para o próximo ano, agora
é de cerca de US$ 2 bilhões, duplicando o resultado de 1998. Entre 1999 e o ano 2002, a previsão de investimentos da Repsol aumento para US$ 13 bilhões. Do pacote de ações vendidos ontem, 5,4% estavam em mãos do Estado argentino, qua acabou recebendo US$ 853 mi. Outras 6,4% das ações eram controladas pelas províncias de Mendoza, Chubut e Santa Cruz. Para bancar o custo da operação, a Repsol fez a maior oferta pública de ações e de títulos conversíveis da história da Espanha pelo valor de US$ 6 bilhões. Os recursos necessários restantes para fazer frente à aquisição da YPF virão de um consórcio de bancos liderados pelo Banco Bilbao Vizcaya (BBV), Goldman Sachs, La Caixa, Merrill Lynch, CitiGroup e UBS.


