Reprovação no exame da OAB tem índice recorde
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quarta-feira, 04 de maio de 2005
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Resultados do último Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná para o exercício profissional revelam dados alarmantes no Estado. Dos 2.888 candidatos inscritos apenas 254 foram aprovados, o que representa um índice de 8,9%. Na avaliação realizada entre 12 e 13 de março deste ano, duas cidades apresentaram quase 100% de reprovação e a média de rejeição em todo o Paraná é de 91,1%.
Ponta Grossa apresentou índice de reprovação de 92,9%. Dos 170 bacharéis que fizeram o exame, apenas 12 conseguiram aprovação. Em Cascavel, o resultado foi ainda pior. Dos 470 inscritos, somente 11 conseguiram pontuação suficiente, o que elevou o índice de rejeição na cidade para 97,6%. Tanto Ponta Grossa quanto Cascavel têm três faculdades de Direito, cada.
O presidente da OAB-PR, Manoel Antônio de Oliveira Franco, manifestou ontem indignação com relação ao elevado índice de reprovação no Exame de Ordem. ''Foi surpreendente. Estamos incomodados, principalmente se levarmos em conta que o índice de aprovação era crescente. Achávamos que estávamos agindo com sucesso mas precisamos rever a situação, pois esse foi o pior índice da história do Paraná.'' Em março, agosto e dezembro de 2004, o índice de aprovação no Estado foi de 16,7%, 20% e 21,3%, respectivamente. Este ano despencou para 8,9%.
Franco afirmou que a entidade ainda não sabe apontar exatamente qual a razão do fraco desempenho dos candidatos mas elegeu a falta de qualificação do ensino como o principal culpado. ''As faculdades que sempre aprovaram, como a UFPR (Universidade Federal do Paraná), a UEL (Universidade Estadual de Londrina), a UEM (Universidade Estadual de Maringá), continuam aprovando. Os cursos novos, com participação política de empresários, é que não estão aprovando. Não temos poder de fiscalizar. Podemos orientar. Mas as faculdades não querem a presença da OAB'', explicou.
O presidente da OAB-PR também descartou rigor excessivo nas provas. ''O rigor depende da qualidade do aluno. Os que não estão satisfeitos são os que não passaram'', diz ele. No entanto, sinalizou com mudanças, já para o próximo exame, em agosto. ''Estamos verificando nossos erros, erros acontecem. Mas somos claros e transparentes, temos o único concurso aberto que entrega a prova. Estamos avaliando a prova para mudar a formatação do exame e a metodologia. Não queremos gênios, mas tem que ter conhecimento para ser advogado'', adiantou.
O Exame de Ordem foi regulamentado em 1996 e tem como objetivo colocar no mercado de trabalho somente os profissionais qualificados para exercer a advocacia após o período de aprendizado. O teste é realizado em duas etapas. A primeira, teórica, prevê 80 questões de Direito Civil, Penal e Trabalhista. É preciso acertar pelo menos 50% das perguntas para avançar à próxima fase. Em seguida, em uma avaliação prática, o candidato deve apresentar uma peça processual em, no máximo, quatro horas. O exame é realizado três vezes por ano no Estado, nos meses de março, agosto e dezembro.


