Reprodução em cativeiro não resolve
A reprodução em cativeiro terá peso relativo na elaboração da lista dos animais em extinção. Iolita Dampi, do Ibama, louva os esforços nesse sentido, mas ressalta que a reprodução de uma espécie fora do seu hábitat não significa ausência de risco. É o caso da onça-parda ou suçuarana, originária da Bahia e já com uma segunda geração nascida no Zoológico do Rio. A onça é um espécie de alto de cadeia, um predador que precisa de outros animais para se alimentar. Se ela não se reproduz na natureza, corre risco de extinção, ensina Iolita. O mesmo acontece com os primatas de cativeiro. Além de seu sustento ser caro, eles não aprendem a buscar alimentos porque os recebem prontos.
O caso da ararinha-azul de lear, cuja reprodução é tentada no zoológico do Rio, é parecido. Existem apenas 200 espécies na natureza e seu ecossistema está sendo modificado, completa Lívia Lins. Ela lembra que há casos mais graves, como o de animais que já entram em extinção quando são classificados (o mico-leão da cara preta, descoberto no Estado de São Paulo na década de 90) e de outros cujo único exemplar não é visto na natureza há meses (como acontece com a ararinha-azul).
Há casos, no entanto, de reversão da lista. Lívia Lins cita o Projeto Tamar, que trabalha com a reprodução das tartarugas marinhas em seu próprio hábitat (todo o litoral brasileiro, com predominância do sul da Bahia). Foi a partir da lista de 1989 que se intensificou o trabalho nestas áreas e hoje a situação, se não se reverteu, melhorou muito, diz ela. O mesmo pode ser dito do mico-leão-dourado que estava praticamente extinto e agora povoa a reserva de Poço das Antas, no Estado do Rio.
Iolita alerta que a lista visa a evitar a extinção das espécies causada pela ação humana. É claro que não queremos barrar a evolução. Quando um animal desaparece por uma catástrofe natural, não há o que fazer. O perigo é quando a extinção é consequência da presença do homem em seu hábitat, conclui ela.
(B.C.S.)





