Salvador, 06 (AE) - A reprodução assistida, pela qual pacientes estéreis conseguem engravidar com a ajuda de óvulos doados por mulheres férteis, está começando a popularizar-se no Brasil. Um dos motivos é a redução do preço do tratamento, que caiu de R$ 5 mil para R$ 1,5 mil. O médico paulista Nílson Donadio, chefe de clínica da Santa Casa da Misericórdia de São Paulo e presidente da Comissão Nacional de Laparoscopia, iniciou há um ano um projeto-piloto popular de geração de bebês de proveta com 36 mulheres. Ele acha que a experiência pode ser estendida a todo o Brasil.
Donadio, que participa do 10º Congresso Mundial de Reprodução Humana em Salvador, diz que óvulos de mulheres férteis podem ser obtidos quando elas procuram as clínicas ginecológicas para pequenas cirurgias. "Sempre cito o exemplo da mulher que vai fazer uma cirurgia de ligadura de trompas: porque não perguntar se ela não se dispõe a doar óvulos, já que com a laqueadura não vai mais produzí-los?", disse.
De acordo com o médico há uma legião de mulheres que precisam dos óvulos férteis para engravidar. Em cada grupo de 100 casais entre 8 e 12 são inférteis.Destes, 20% precisam da reprodução assistida para gerar filhos.
"Se cada uma das mulheres férteis que passam pelas clínicas ginecológicas doassem de 4 a 6 óvulos, certamente, conseguiríamos resolver grande parte do problema das inférteis"
disse Donadio. Mas para isso é preciso a adesão do maior número possível de médicos e clínicas. "Há em todo o Brasil, pelo menos 80 clínicas em condições de fazer o tratamento da reprodução assistida, da captação do óvulo até sua implantação na receptora", disse.
Endométrio - Uma nova terapia contra a endometriose, que atinge entre 7 e 15% das mulheres férteis e pode causar a infertilidade, tem apresentado resultados excelentes de acordo com estudo apresentado no Congresso de Reprodução Humana.
O uso do remédio Synarel, que consegue bloquear o ciclo menstrual agindo no hipotálamo, na hipófise e nos ovários, reduziu os sintomas da doença em 92% das pacientes que se submeteram ao tratamento com acompanhamento do laboratório Searle, fabricante da droga.
A endometriose ocorre quando as células do endométrio (mucosa interna do útero) responsáveis pelo sangramento da menstruação, atingem outras áreas do sistema reprodutor feminino como o ovário, as trompas, o músculo uterino e até a cavidade abdominal. O Synarel evita a descamação das celulas do endométrio, inibindo o sangramento e reduzindo a inflamação.
Um dos maiores especialistas na doença, o médico inglês Stephen Howard Kennedy, integrante e consultor honorário em Reprodução Humana do Hospital John Radcliffe, de Oxford, participa dos debates sobre a endometriose nesta sexta-feira.

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