REPRODUÇÃO ASSISTIDA - Técnica facilita acesso à maternidade
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domingo, 09 de agosto de 2009
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A pequena Thayssa nasceu, há um pouco mais de um mês, numa noite fria de inverno. Mas logo o clima gélido foi quebrado pelo calor dos braços aconchegantes da mamãe, Márcia Soares, de 36 anos. O momento era muito especial na vida das duas. A auxiliar de serviços gerais tentava engravidar há 13 anos, sem êxito. Submeteu-se a cirurgias, fez diversos tratamentos com o marido. Gastou o dinheiro que tinha e o que não tinha. Até que, no ano passado, realizou o procedimento de fertilização in vitro simplificada e, em menos de dois meses, engravidou de Thayssa.
A menina quis nascer antes do tempo. Aos quatro e aos seis meses de gravidez, Márcia precisou ser medicada para evitar um parto prematuro. Mas o bebê nasceu saudável, com nove meses completos. ''É a realização de um sonho, muito aguardado. Agora sou uma mãe completa, porque tenho uma filha de três anos adotada, mas eu não sabia o que era ser uma mãe biológica. Precisa ter muita fé e força de vontade para não ser vencida pelo sofrimento'', comemora ela, olhando para Thayssa. ''Valeu muito a pena. Ela é minha preciosidade. É forte, muito esperta e gulosa. Sinto um amor incondicional por ela, é incrível viver isso'', conta Márcia, que perdeu um filho durante a gestação, aos 23 anos.
Até engravidar de Thayssa, Márcia passou por duas cirurgias e precisou até fazer um empréstimo de R$ 7 mil para pagar o procedimento de fertilização in vitro convencional, durante um ano. Dois anos depois, tentou de novo e fez mais dívidas.''Fiz a fertilização simplificada uma vez, tomei duas ampolas que custaram só R$ 140,00 para estimular a ovulação. Depois colocaram em mim dois embriões e, em uma semana, recebi a confirmação da gravidez de um embrião'', relata Márcia, que não gastou mais nenhum centavo com a fertilização in vitro. Ela fez todo procedimento no Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba, que fechou um convênio com o Centro Paranense de Fertilidade, em 2007.
Mas, por enquanto, o serviço só atende pessoas de baixa renda que estão na fila de espera, cerca de 600 casais. Ao todo, foram inscritos 1,2 casais. Esse é o único serviço de reprodução assistida com custo praticamente zero no Paraná. O Sistema Único de Saúde (SUS) não oferece o procedimento médico. Porém, segundo o ginecologista especializado em reprodução assistida, Karam Abou Saab, professor e chefe do Serviço de Reprodução Humana do HC, é feito um esforço para implantar definitivamente o serviço no hospital.
A entidade Amigos do HC busca arrecadar R$ 500 mil para compra de equipamentos que estruturem o serviço de reprodução assistida, que também tem manutenção elevada já que o material de consumo deve ser adquirido mensalmente.
O serviço do HC permite que casais carentes se submetam ao procedimento de fertilização in vitro simplificada que, ao contrário da convencional, utiliza pouco medicamento na mulher e retira menos óvulos, de três a seis, sem reduzir as chances de gravidez. ''A fertilização tradicional usa elevadas dosagens de remédios visando uma produção grande de óvulos, de dez a 15. Nós trabalhamos com a dosagem média, retiramos das pacientes, em média, três óvulos que dará o número correspondente de embriões. O índice de gravidez é de 40%'', explica Abou Saab, pioneiro no Estado em reprodução assistida. Foi ele quem reproduziu o primeiro bebê de proveta, no Paraná, em 1986.
''Na verdade, a técnica é antiga. O primeiro bebê de proveta veio de um ciclo natural, sem medicação. Só que os índices de fecundação eram baixos. De dez anos para cá, a parte laboratorial evoluiu muito'', informa. ''As vantagens são muitas da fertilização simplificada. Evita desconfortos na mulher, como o inchaço adrenal e abdominal e reduz os riscos de formação de cistos e hipertestímulo ovariano grave. Evita gravidez de risco, como de trigêmeos e quadrigêmeos, que podem nascer prematuros e com sequelas como retardo mental. Imagine que a redução de custos chega a 60%'', destaca o especialista.
A fertilização in vitro simplificada, enfatiza o médico, é tendência mundial na área de reprodução humana e será tema do próximo Congresso sobre Reprodução Assistida que vai acontecer no Japão.


