Repressão a protesto estudantil deixa 17 feridos em La Paz
La Paz, 13 (AE-AP) - Violentos confrontos entre policiais e estudantes - que protestam contra o estado de sítio e por mais verbas para a educação - voltaram a ocorrer nesta quinta-feira (13) nas imediações da Universidade Mayor San Andrés, no centro de La Paz, deixando 17 jovens feridos - um deles em estado grave.
As forças de segurança lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra o interior do edifício da universidade, onde se agrupavam os jovens, que respondiam devolvendo os projéteis e atirando pedras. Na quarta-feria, um enfrentamento semelhante deixou o saldo de 11 pessoas machucadas e 32 presas.
"A partir de hoje, vamos sair às ruas todos os dias e, antes, vamos cantar o hino nacional", disse Diego Salazar, líder do diretório estudantil da instituição. Desde que as manifestações populares se intensificaram na Bolívia, no início do mês, os choques com as forças de segurança deixaram um saldo de seis mortos e 74 feridos.
A situação poderá agravar-se amanhã na capital, pois a Confederação de Professores Urbanos programou uma greve por melhores salários e em protesto contra o estado de sítio. Também está marcada para a sexta-feira uma manifestação de universitários e trabalhadores em geral em La Paz.
No interior do país, a situação parece calma. Cerca de 2.000 ônibus e caminhões voltaram a circular depois que foram removidos bloqueios de estradas armados por camponeses para reivindicar melhores condições de vida no meio rural. A obstrução vem causando o desabastecimento das cidades. Entretanto, a Central Única dos Camponeses da Bolívia mantém bloqueada uma rodovia importante no altiplano boliviano e ameaça interromper a circulação de veículos em outras rotas.
Em Cochabamba, terceira maior cidade do país, as ruas permaneciam calmas. As manifestações na região de Cochabamba contra modificações no sistema de abastecimento de água e os planos do governo de cobrar tarifas dos camponeses pelo serviço refluíram depois que esse projeto foi cancelado na segunda-feira. O governo rompeu o contrato com uma empresa estrangeira que faria a obra e desistiu da cobrança.
Ao mesmo tempo, o Congresso, dominado pelos partidos que apóiam o presidente Hugo Bánzer, aprovou hoje pela manhã o estado de sítio decretado pelo governo no sábado para um período de 90 dias. A votação seguiu-se a uma tensa sessão de debates durante toda a noite, sob protestos de oposicionsitas, que denunciavam irregularidades no encaminhamento da questão.
Respaldadas nas medidas de exceção, as autoridades podem prender cidadãos sem ordem judicial, restringir atividades políticas e impor o toque de recolher.
A Central Única dos Camponeses da Bolívia impôs como uma das condições para a retomada do diálogo com o governo, previsto para iniciar-se hoje, a libertação imediata de seu líder, Felipe Quispe, e de outros 19 dirigentes sindicais presos e enviados ao povoado de San Joaquín, a 700 quilômetros de La Paz. "Nós não negociamos sem nosso líder", disse o sindicalista Alberto Zapata.
Eles também exigem o fim do estado de sítio e o pagamento de indenizações aos parentes de três militantes mortos nos conflitos desta semana. Nove parlamentares permanecem em greve de fome há três dias em protesto contra a prisão dos líderes sindicais. Cerca de cem dirigentes de sindicatos de camponeses de várias partes da Bolívia reuniram-se hoje na capital para fazer um balanço do movimento e avaliar as propostas do governo.
Além das manifestações de camponeses e estudantes, Bánzer está às voltas com a insatisfação nos quartéis por causa dos baixos soldos. Hoje, um grupo de militares de baixa patente não identificados encaminhou uma carta à imprensa ameaçando amotinarem-se se o governo não atender a suas reivindicações salariais. No início da semana o governo pôs fim a uma rebelião em uma unidade especial da polícia, em La Paz, concedendo aumento de 50%. Suboficiais e sargentos também se queixam de discriminação racial, segundo o diário Presencia.
Um desconhecido telefonou hoje para esse jornal dizendo que uma bomba fora colocada no edifício. A polícia revistou o local e nada encontrou. O Presencia tem recebido ameaças desde que denunciou no ano passado ações da máfia italiana no país.





