Representantes alertam sobre suicídio de índios
Edinelson Alves
Especial para a Folha
De Brasília
O drama enfrentado pelos índios kaiowa, das reservas de Dourados e Amambai no Mato Grosso Sul, que estão se suicidando, foi relatado ontem no Congresso Nacional. Dois representantes da reserva de Amambai, reuniram-se com deputados e senadores em busca de ajuda para diminuir o sofrimento daquela comunidade indígena. Augusto Aquino e Severiano Rodrigues contaram que o suicídio continua sendo uma triste saída para os índios que perderam completamente a esperança de viver. Aquino afirmou que quatro pessoas se suicidaram na semana passada, três num mesmo dia. Ele relatou que em dezembro do ano passado foram 46 mortos.
Se as autoridades não tomarem uma decisão para ajudar o nosso povo, essa decisão pela morte continuará sendo uma ameaça constante em nossas aldeias. Os que se suicidam é porque chegaram num limite que não acreditam mais que vale a pena lutar, desabafou. Para Aquino, a falta de condições para o trabalho, o desaparecimento da caça e da pesca por causa da diminuição da área da reserva, além da doença e do alcoolismo são algumas causas que têm provocado essa dizimação dos kaiowa.
No Congresso, onde mantivem contatos com parlamentares, eles pediram apoio financeiro para a compra de equipamentos agrícolas para viabilizar a agricultura nas aldeias. Essa seria uma das alternativas para melhorar a condição do nosso povo, disse.
A senadora Marina Silva (PT-AC), que recentemente visitou as reservas dos kaiowa, ao receber os dois representantes daquela tribo, reafirmou que a situação é dramática. São mais de 300 suicídios praticamente das mais diferentes formas, a maioria deles ocorrendo na faixa etária entre 12 e 25 anos. Há um processo perverso de desapropriação, da cultura, da condição do povo, da identidade sociocultural, e acima de tudo, dos territórios, pois eles estão confinados entre fazendas agrícolas e não há como resistir a essa perversa destruição em massa.
Para a senadora, o governo e as entidades competentes deveriam, urgentemente, tomar algumas medidas para proteger os kaiowa do Mato Grosso do Sul. Ela disse que não se pode ficar calado diante de tantos abusos que estão sendo cometidos contra aquela tribo.





