Curitiba - O coordenador do programa ''Gestão Urbana'' da Organização das Nações Unidas (ONU) para a América Latina e Caribe, Yves Cabanna, ouviu ontem de manhã relatos de sem-teto sobre processos de ocupação de imóveis e respectivos despejos, realizados pela Prefeitura de Curitiba. Os relatos, quase todos revelando o uso de violência por parte da Guarda Municipal, farão parte do relatório ''Despejos Forçados'' que está sendo preparado pela ONU. Cabanna é um dos relatores.
Os relatos foram feitos durante a audiência pública sobre ''Déficit Habitacional e Violência contra o Movimento Nacional de Luta pela Moradia'', organizado pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS).
Entre os casos citados, chamou atenção o despejo há cerca de dois meses, de famílias que ocuparam uma área na localidade de Ganchinho, no bairro Umbará. ''O despejo foi feito sem nenhuma base legal, pela Guarda Municipal, quando deveria ser pela Polícia Militar'', disse o advogado Eduardo Harder, da ONG Terra de Direitos. Segundo relatos, durante o despejo alguns integrantes do movimento foram algemados, obrigados a deitar no chão, e sofreram tortura psicológica.
Um dossiê com dados sobre o déficit habitacional, a ''desproporção entre o orçamento municipal destinado à habitação e ao setor de marketing da prefeitura e a violência promovida pela Guarda Municipal contra o MNLM'' também foi entregue ao representante da ONU. O documento será encaminhado à Secretaria Nacionais de Direitos Humanos e de Segurança Pública, ao Ministério das Cidades, e à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal.
A Prefeitura de Curitiba, responsável pela retirada dos sem-teto de Ganchinho, nega o uso de violência na desocupação.

mockup