Curitiba - O combate à fome deve passar pela coordenação dos municípios e por uma política nacional que articule grandes programas e integre as ações de todo o País. Essa é a opinião do representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (Fao), José Tubino, que esteve ontem em Curitiba para conhecer vários projetos desenvolvidos pelo Comitê de Entidades Públicas no Combate a Fome a Pela Vida (Coep-PR).
Um dos programas que o representante da Fao conheceu foi o Supersopa, desenvolvido na Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa), que aproveita excedentes de hortigranjeiros para fabricar 480 latas de quatro litros de sopa por dia, que equivalem a oito litros de sopa preparada. Segundo ele, esse é um programa que deveria ser copiado em outras regiões do País. Um grupo de El Salvador, país que recebeu o sopão depois de um terremoto no ano passado, também estava na Ceasa conhecendo melhor o programa.
Tubino, que está há dois anos no Brasil, se disse impressionado com o número de iniciativas da sociedade civil no combate à fome e acredita que se fossem coordenadas e integradas haveria mais resultado. Ele defende o incentivo às economias locais para a produção e comercialização direta de alimentos, promovendo o desenvolvimento sustentável. Tubino também faz restrições ao excesso de doações de alimentos e diz que quando se trata de população jovem é preciso proporcionar a capacitação para o trabalho. É o que acontece no Projeto Esperança, desenvolvido pelo Coep-PR em parceria com a Fundação de Ação Social (FAS) e Fundação Cefet. A iniciativa visa capacitar jovens de 15 a 25 anos a atuar como auxiliar de camareiras, serviços gerais e copeira.
A Fao estima que existam 22 milhões de pessoas em risco alimentar no Brasil, mas há outras estimativas bem superiores a esse número. De acordo com Tubino, é preciso aprimorar a metodologia das estatísticas para ter números mais próximos da realidade.
Este ano, o Dia Mundial de Alimentação, que foi na última quarta-feira, escolheu a água como tema. A Fao defende a ampliação no uso da irrigação para a produção de alimentos no Brasil, que utiliza apenas 10% de sua capacidade de irrigação. Outro aspecto abordado foi a cultura de peixes em regiões de grandes rios como na Amazônia e Tocantins.

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