Representação dimplomática dos EUA em Pequim é sitiada e Otan prossegue com ataques
Pequim, 09 (AE-AP) - O embaixador dos EUA em Pequim, James Sasser, declarou hoje (09) à TV CBS que o pessoal diplomático americano se tornou refém da China desde que, ontem de manhã começaram os protestos de milhares de pessoas - majoritariamente estudantes - em todo o país contra o bombardeio da Otan à embaixada chinesa em Belgrado.
Quatro pessoas morreram - incluindo a enviada especial da agência Nova China à Iugoslávia, Shao Yunhuan - e 20 ficaram ficaram feridas no ataque acidental.
"Não há dúvida de que nós somos reféns aqui. Todos os vidros foram quebrados e nós não podemos sair", afirmou Sasser por telefone ao programa Face the Nation, no qual acusou as autoridades chinesas de deixar os manifestantes agir livremente.
Os protestos são os maiores desde os da Praça da Paz Celestial, em Pequim, há dez anos. De 20 mil a 30 mil estudantes concentraram-se diante das embaixadas americana e britânica em Pequim.
A maioria regressou aos câmpus universitários no fim do dia, restando quase 800 mais exaltados. Sasser expressou seu temor de que as autoridades chinesas percam o controle sobre os manifestantes, apesar de o governo ter-lhe assegurado que garantirá a segurança do edifício. "Acho que esses protestos estão excedendo a expectativa das autoridades", disse Sasser, citando evidências de que o governo encorajou os protestos e sugerindo que os estudantes podem ter sido levados ao local em ônibus. Praticamente todos os vidros da embaixada foram quebrados.
A residência do cônsul americano em Chengdu, no sudoeste do país, foi incendiada ontem. Houve protestos em Xangai, Cantão e Xeniang, entre outros.
O porta-voz da Casa Branca Michael Hammer adotou um tom mais brando, afirmando que Washington confia em que as autoridades chinesas tomarão as precauções necessárias.
Hammer ressaltou que "não está claro" que os protestos contam com o respaldo oficial. No entanto, os jornais chineses acusaram a Otan de ter atacado propositalmente e o vice-presidente Hu Jintao manifestou seu apoio aos protestos, em discurso na TV, ressaltando, porém que a "estabilidade social deve ser garantida". Já o embaixador da China nos EUA, Li Zhaoxing, disse que a resposta de seu país ao bombardeio será determinada pelos resultados da investigação que está realizando. Ele não quis antecipar qual a atitude que Pequim tomará no Conselho de Segurança (CS) da ONU, do qual é membro permanente.
Ontem de madrugada, o CS realizou uma reunião extraordinária, a pedido da China, que não conseguiu apoio para a abertura de uma investigação e a aprovação de uma moção de condenação ao acidente.
Li afirmou que os EUA e a Otan adotam uma dupla interpretação sobre direitos humanos e tecnologia.
A Otan voltou a lamentar hoje o bombardeio da Embaixada da China em Belgrado e culpou a Agência Central de Inteligência americana (CIA) pelo "trágico erro". Reiterou, ainda, que pretende continuar com os ataques para forçar o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, a ceder. Forças da aliança atacaram hoje de madrugada numerosos objetivos na Iugoslávia e em Kosovo, mas não em Belgrado.
O secretário de Defesa americano, William Cohen, e o chefe da CIA, George Tenet, admitiram que o engano teve origem em informações errôneas do serviço secreto.
Ainda hoje, o filho da jornalista Shao Yunhuan enviou uma carta ao presidente americano, Bill Clinton, pedindo-lhe que ponha fim aos bombardeios.
"Escute a voz poderosa da paz. Não entendo como um Estado democrático e poderosos como o seu pode aterrorizar uma pequeno país como a Iugoslávia", disse Cao Lei, de 19 anos, cujo pai, um diplomata, ficou ferido no bombardeio.





