Rio Boa parte das crianças e adolescentes que vivem nas ruas da região metropolitana do Rio está nessa situação porque foi expulsa pelo tráfico de drogas de suas comunidades ou porque resolveu fugir da violência nas favelas. É o que indica um levantamento divulgado pela organização não-governamental Ibiss (Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social). A ONG ouviu no ano passado 2.300 crianças de um total estimado de 12,5 mil que vivem nas ruas da região metropolitana do Rio.
A maior parte (27%) das crianças ouvidas pela ONG disse que estava nas ruas com medo de represálias do tráfico de drogas. O segundo motivo mais lembrado foi a violência nas favelas (24%). A condição socioeconômica apareceu entre os principais motivos na terceira colocação (17% dos casos).
A comparação com levantamentos de anos anteriores mostra que a violência foi substituindo a pobreza gradativamente nos últimos 30 anos como principal motivo citado pelas crianças que vivem ou trabalham nas ruas.
Segundo o Ibiss, nos anos 70 (não há um ano específico de referência para essa década), a pobreza foi citada por 48% das crianças como motivo para estarem nas ruas, enquanto a violência (nesse caso, apenas a violência doméstica) foi lembrada por 7%.
Nos levantamentos seguintes (1988, 1994, 1998 e 2002), a citação da pobreza como principal motivo foi diminuindo gradativamente, até chegar a 17% no ano passado. No mesmo período, a soma das respostas que indicavam algum tipo de violência do tráfico, nas favelas ou doméstica foi aumentando ano a ano até chegar a 66%.
A represália do tráfico de drogas foi o motivo que mais cresceu de 1998 para 2002 entre os citados por crianças e adolescentes ouvidos pelo instituto. Em 1998, apenas 4% disseram viver nas ruas porque foram obrigadas pelos traficantes. Em 2002, esse percentual chegou a 27%.
A comparação com anos anteriores mostra também uma tendência positiva de queda no número de crianças e adolescentes nas ruas. Em 1988, eram 30,4 mil. Esse número passou para 23,2 mil em 1994, para 21,1 mil em 1998 e para 12,5 mil no ano passado. O levantamento do ano passado mostra que somente 18,4% do total de 12,5 mil crianças e adolescentes nas ruas não têm mais nenhum vínculo com a família.
A maioria (54,4%) passa a maior parte do tempo na rua, mas ainda mantém algum contato com os familiares. O restante (27,2%) fica nas ruas para ganhar dinheiro com alguma atividade, mas passa a maior parte do tempo com a família.
O Ibiss é uma ONG fundada pelo holandês Nanko van Buuren e que atua há 12 anos na região metropolitana do Rio com populações de rua e de favelas.
Para realizar o levantamento, o Ibiss ouviu 2.300 crianças que passaram por um dos projetos do instituto na região metropolitana do Rio. Apesar do grande número de entrevistados, o trabalho não pode ser comparado a um censo ou a uma pesquisa de opinião porque o universo entrevistado não reflete, necessariamente, a totalidade de crianças e adolescentes que vivem nas ruas.

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