Reposição difícil e dólar alto paralisam mercado de carne
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Eduardo Magossi 
São Paulo, 24 (AE) - A alta do dólar e a dificuldade para o pecuarista em fazer a reposição de seu rebanho está travando o mercado físico de boi no interior paulista. Segundo Élio Micheloni, da Fortune Consultoria, a nova alta do dólar verificada esta semana está fazendo com que os pecuaristas voltem a segurar o rebanho, dificultando a compra por parte dos frigoríficos. Micheloni explica que o pecuarista vai vender o boi apenas se necessário.
Outro fator que está paralisando os negócios é a reposição desfavorável para o pecuarista. Micheloni informa que o pecuarista que quer repor o seu rebanho está pagando caro pelos bezerros, por isso a reposição está sendo evitada. "O pecuarista vai começar a vender mais quando o preço do bezerro estiver favorável para a reposição. Até lá, o pecuarista tende a segurar o seu rebanho porque é melhor ter o boi que o dinheiro na mão, que pode se desvalorizar", disse.
Apesar da menor oferta, os preços no físico continuam nos mesmos patamares, estando entre R$ 31 (livre de impostos e à vista) e R$ 32 (livre com prazo de 30 dias) por arroba no interior paulista. Isto porque o atacado registrou nova queda hoje devido ao fraco consumo. Segundo Alcides Torres, da Scot Consultoria, o preço do traseiro/dianteiro registrou negócios hoje a R$ 2,55/R$ 1,55 por quilo, acumulando, em uma semana, uma retração de 4,3%. Para José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, os frigoríficos estão começando a ficar receosos com a fraca demanda atacadista e poderão reduzir suas ofertas aos pecuaristas. Ferraz acredita também que, na próxima semana, com o início de março, os pecuaristas serão obrigados a desovar um pouco seu rebanho para pagar contas e isto deve aumentar a oferta, contribuindo para a pressão nos preços. Na BM&F, a alta do dólar provocou nova queda no curto prazo hoje. No longo, os preços subiram em um sinal de que os investidores estão migrando para o longo prazo. Alguns traders afirmam que isto é um sinal de credibilidade na queda do dólar nos próximos meses.


