O jornalista José Cleves da Silva, de 40 anos, repórter policial do jornal ‘‘Estado de Minas’’, foi indiciado ontem no inquérito sobre o assassinato de sua mulher, Fátima Aparecida de Abreu Silva, de 37 anos. Fátima foi morta com três tiros no rosto, na noite do último domingo, em Belo Horizonte. O jornalista contou que ele e a mulher estavam de carro em uma via, quando teriam sido surpreendidos por dois assaltantes. Fátima, segundo Silva, teria se recusado a entregar a um dos bandidos seu telefone celular. Irritando o assaltante, que disparou. O jornalista repetiu a história pela segunda vez, ontem, em depoimento ao delegado de Homicídios Edson Moreira, no Departamento de Investigações da Polícia Civil. Moreira disse que um revólver encontrado perto do local do crime, usado para matar Fátima, teria sido comprado recentemente por Silva de um cabo da Polícia Militar. ‘‘Não há dúvidas de que ele foi o autor do crime’’, afirmou o delegado. O jornalista negou ter cometido o crime. Ele acredita estar sendo vítima de uma ‘‘armação’’. De acordo com Silva, no mesmo dia do crime o jornal ‘‘Estado de Minas’’ publicou, na primeira página de um dos cadernos, matéria de sua autoria sobre as facilidades para aquisição de armas no ‘‘mercado negro’’, na capital. Policiais militares e civis estariam vendendo o material. O advogado de Silva contou que, de fato, o jornalista, ao apurar a matéria, teria telefonado a um cabo da PM e perguntado se poderia vender um revólver a um amigo, de nome Orlando, que não existia. A resposta foi positiva. Silva, porém, queria apenas confirmar que policiais comercializam armamentos e o negócio não teria sido sequer concretizado.

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