Curitiba - A série ''Pedofilia'', do jornalista Diogo Cavazotti, da Folha de Londrina, venceu a categoria mais disputada da 4edição do Prêmio Sangue Bom de Jornalismo, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná. Entre 64 trabalhos inscritos na categoria Reportagem Impressa (revista e jornal), o repórter da sucursal de Curitiba ficou com a primeira colocação.
A série, dividida em três partes, foi publicada entre os dias 3 e 5 de setembro do ano passado e abordou a questão da pedofilia pelo ponto de vista médico, psicológico, legal e social. Cavazotti conversou com profissionais que lidam com os envolvidos, de ambos os lados.
Na primeira reportagem, foi abordado o trabalho de uma das duas entidades brasileiras que oferecem atendimento para pedófilos e as dificuldades de agir nessas situações, já que a quase totalidade dos acusados não assume o crime. Na continuação, Cavazotti escreveu sobre o tratamento do crime na Justiça. Ele descobriu, em primeira mão, a implantação de um novo método de colhida de depoimentos de vítimas.
A série foi finalizada com o relato, em forma de entrevista, de uma vítima de agressões e abuso sexual pelos tios durante seis anos. O repórter chegou ao psicólogo José (nome fictício) por intermédio de uma amiga e conheceu os detalhes das agressões sofridas por ele entre os 5 e 11 anos.
Apesar de ter recebido seu primeiro prêmio de jornalismo logo no primeiro ano atuando com repórter em um jornal diário, Cavazotti conta que a série publicada na FOLHA trouxe duas outras satisfações que não foram impressas nas páginas do veículo. ''Depois da publicação das matérias, soube do psiquiatra que entrevistei que ele foi procurado por um agressor que decidiu buscar o tratamento após ler o jornal'', conta.
Outra alegria para o jornalista foi descobrir que a vítima entrevistada teve coragem de relatar aos pais as agressões sexuais que sofreu na casa dos tios. ''Ele contou que os pais ficaram muito chocados, choraram muito, mas que, para ele, foi um grande alívio tirar aquele peso das costas'', recorda.
A reportagem levou dois meses para se transformar de uma ideia em texto. Mas, o trabalho de apuração, entrevistas e escrita foi feito em uma semana. Todos os trabalhos são avaliados por uma comissão formada por três jornalistas de fora do Paraná. Na mesma categoria em que Cavazotti venceu, houve empate empate na primeira colocação. Mauri Konig, da Gazeta do Povo, também recebeu o prêmio, entregue na noite de terça-feira.

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