Réplica de barco de Cabral zarpa com lastro improvisado
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domingo, 23 de abril de 2000
Por Biaggio Talento 
Salvador, 24 (AE) - Com sacos de cimento usados para aumentar o peso do lastro e sem a conclusão do acabamento interno, a réplica da nau Capitânia, de Pedro álvares Cabral, zarpou no final da manhã de hoje da capital baiana em direção a Santa Cruz Cabrália. A intenção é participar na quarta-feira (26) da encenação da primeira missa, na praia de Coroa Vermelha. A embarcação não ficou pronta a tempo e não participou da festa do Descobrimento do dia 22.
O capitão de mar-e-guerra Cláudio da Mata, um dos que gerenciaram a construção, informou hoje que foi preciso usar os sacos de cimento porque faltaram quatro toneladas de placas de chumbo, requisitadas a uma empresa paulista, para completar as 52 toneladas do lastro, necessário à estabilidade da embarcação, que custou R$ 3,850 milhões, dos quais R$ 2,3 milhões do governo federal.
A expectativa é de que a réplica chegue a Cabrália amanhã (25) à tarde, mas depois de tantos contratempos e problemas, uma simples viagem contornando o litoral da Bahia tornou-se incerta. "Essa embarcação é única, a última que foi construída foi há 500 anos,então nós não tinhamos referências, foi tudo por tentativa e erro", justificou o almirante Domingos Castelo Branco, do Clube Naval do Rio de Janeiro, que integra a equipe de construção. Para ajudar a executar o projeto e clube foi buscar no Maranhão o francês Henri Sholomff, que nunca havia trabalhado em algo semelhante.
Uma nau semelhante à Capitânia foi construída bem mais recentemente e mais próximo do que o almirante imagina. Em 1998, um pequeno estaleiro de Camamu, no litoral sul baiano, construiu para o filme "1498", sobre a descoberta da América, uma réplica da nau Niña, da esquadra de Cristovão Colombo.
Foi entregue no prazo, custou R$ 1,8 milhão, a metade do preço da Capitânia e pelo, que se sabe, navega muito bem. O estaleiro baiano chegou a ser consultado para construir a réplica da nau de Cabral, mas o Clube Naval do Rio não fechou o negócio, alegando que os construtores queriam usar no projeto madeira de árvores nobres, que a Legislação Ambiental proíbe sejam derrubadas.
Ao optar pelas resinas e placas de fibra de vidro em grande parte da nova Capitânia, os construtores a fizeram muito leve, provocando todo o problema. Depois de participar dos festejos em Cabrália, a nau seguirá para o Rio e retorna a Salvador no final de maio, onde deve ter seu acabamento interno concluído em prazo de um mês.


