Londrina – A Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) e a Robotx, empresa especializada em repelir pombos com ondas eletromagnéticas, já estudam outras alternativas para acabar com a infestação das aves no Bosque, na área central de Londrina. Já em funcionamento em fase de testes, o equipamento instalado em uma árvore na Praça Sete de Setembro aparentemente não surtiu efeito. Na tarde de ontem, a calçada, o gramado e o banco no entorno do exemplar estavam tomados por excrementos. O local foi lavado na sexta-feira, data que o repelente foi colocado.
Embora tenha demonstrado desânimo com o resultado e admitido que "particularmente acha muito difícil" que a tecnologia seja capaz de livrar a área central das amargosinhas, o secretário municipal do Ambiente, Cleuber Brito, diz que irá aguardar duas semanas para fazer uma "avaliação conclusiva". "Vou analisar o teste com muita cautela", afirmou.
Brito, porém, revelou que a administração municipal e a Robotx vão tentar usar outras tecnologias para desenvolver uma solução para a infestação de amargosinhas. Um dos responsáveis pela instalação, Cléber Garcia, admitiu que está analisando outras alternativas para a repelência em áreas abertas. "Londrina é um grande desafio para nós. Estamos especialmente envolvidos com este trabalho e vamos conseguir uma outra solução, caso a atual não funcione", prometeu.
De acordo com Brito, biólogos captaram imagens da árvore com o reator no entardecer da segunda-feira. O secretário relatou que os 17 minutos de vídeo revelam que os pássaros relutam em pousar nos galhos e aparentam desorientação. Instantes depois, contudo, já conseguem se adaptar à onda eletromagnética e acabam permanecendo na árvore.
Nem a Sema nem a Robotx quiseram adiantar quais seriam as alternativas ao reator eletromagnético, tampouco quanto tempo levaria para desenvolver o novo tipo de repelente. Também não disseram quais as explicações para o possível fracasso do reator.

Irerê
Ontem, a Robotx concluiu a instalação do reator eletromagnético no terminal de ônibus do Distrito de Irerê (zona sul), com bons resultados, segundo os próprios frequentadores. Lá, ao contrário do Bosque, local que concentra uma grande população de amargosinhas, o problema são pássaros maiores, os pombos domésticos. Centenas destas aves ficavam no teto do terminal e usavam as calhas da construção como ninhos. O resultado da adoção do local como ambiente de reprodução e repouso era um grande volume de fezes, que provocavam mau cheiro e desconforto.
Ontem, quem aguardava o embarque parecia mais aliviado com o piso limpo e sem os animais sob a cobertura de metal. "Parece que funcionou. Não vi nenhuma pomba por aqui hoje. Antes a gente já descia do ônibus olhando para cima", contou o mecânico Amauri Cutisque, usuário do terminal.
O comerciante Luiz Januário, proprietário do quiosque do terminal, disse que a troca das luminárias, antes usadas pelos pássaros como poleiros, já tinham amenizado o problema, semanas atrás. "Já tinha melhorado muito. A gente via uma ou outra. Mas hoje eu não vi nenhuma", comparou.
A reportagem observou a movimentação dos pombos e percebeu que elas só suportam permanecer no teto por alguns segundos e logo retomam o voo para outro ponto. Foi possível perceber também voos de andorinhas nas redondezas do terminal, comprovando a garantia de que as ondas só repelem os pombos.
Sem a plataforma adotada há mais de uma década, o ponto de preferência dos pombos é agora a cobertura metálica de uma construção vizinha ao terminal. O teto da igreja de Irerê também passou a ser "povoado".
Mas há quem julgue os bons resultados dos primeiros testes com ceticismo. "No começo vai ser essa maravilha, mas depois...", comentou o granjeiro Pedro Adão Anastácio. "Os pombos vão voltar. Eles vão se adaptar a isso aí e vão voltar. Espero que eu esteja errado", disse o aposentado Rubens Barbosa Pereira.

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