Curitiba - No último dia 28 de dezembro, o curitibano Marcos Eduardo Rosales, de 34 anos, embarcou junto com outros 11 brasileiros em um avião comercial na cidade de Santo Antonio, no estado do Texas, nos Estados Unidos, com destino ao Brasil. Terminava ali, para ele, uma história de quatro meses de angústia, medo e desespero, desde 1º de setembro, quando foi preso na cidade de Laredo, Texas, cinco dias depois de ter cruzado a nado o Rio Grande, que faz fronteira com o México, e ter conseguido entrar nos Estados Unidos.
De 1º a 4 de setembro, Rosales e outros seis brasileiros permaneceram, trancados em uma sala do escritório do Serviço de Imigração. ''Só recebemos água. Ficamos em comida, sem banho, sem nada'', conta. Ele passou por três presídios. No primeiro, no condado de Pearson, foi colocado em uma cela comum, com outros 24 presos, entre assaltantes e um estuprador. Só depois de 60 dias conseguiu audiência com um juiz. No início, tentou sair ''sob fiança'', mas sem sucesso acabou pedindo a deportação. Nesse tempo, ainda passou pelos presídios de Hockenhut e Taylor.
A maior reclamação de Rosales é contra o consulado brasileiro em Houston. ''Eu me senti um despatriado. Presos, nós, os brasileiros, não sabíamos o que iria acontecer, o que deveríamos fazer para sair dali, e o consulado não presta nenhuma assistência, não dá nenhuma informação sobre o melhor caminho a tomar'', reclama.
Na prisão de Hockenhut, segundo ele, havia diversos brasileiros que aguardavam há meses o desfecho de seus processos. Era o caso de um mineiro, que estava desesperado, preso pela imigração há nove meses. ''Eu achava que os Estados Unidos eram mais organizados, mas os processos não tinham nenhuma organização. Teve gente que pediu a deportação bem antes de mim, e eu saí antes''.

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