Rio - As transferências de recursos públicos para cada um dos 50 milhões de miseráveis brasileiros somavam, até 2000, apenas R$ 0,35 mensais. O valor, que representa 1,29% da renda dos que estão abaixo da linha da pobreza, é um dos dados do Mapa do Fim da Fome II, divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Embora a oferta das condições mínimas de sobrevivência seja, prioritariamente, um dever do Estado, a pesquisa revela que o repasse da iniciativa privada era 35% superior (R$ 0,47).
Coordenador-geral da ONG Ação da Cidadania, que financia o levantamento com o Serviço Social do Comércio (Sesc), Maurício Andrade observa que o baixo valor de recursos que chegam aos miseráveis é sinal da ineficiência na aplicação do dinheiro público. Ele defende a unificação dos programas sociais.
O mapa, que detalha a distribuição da miséria no país e traça metas para combatê-las, usando dados do Censo 2000, aponta que o problema pode ser erradicado se cada brasileiro não-miserável contribuir com R$ 15 mensais. A FGV reconhece como miseráveis as pessoas que têm uma renda per capita inferior a R$ 80, valor que corresponde ao custo monetário do consumo diário de 2.280 calorias, recomendado pela Organização Mundial de Saúde. São Paulo é o Estado com o menor percentual de miseráveis (14,25%) e Maranhão aparece como o maior: 68,42%.

mockup