Rio, 16 (AE) - O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, afirmou hoje, no Rio, que poderá haver um aumento do repasse de verbas para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a partir de agosto, com a alteração da matriz de cálculo da Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Maior universidade federal do País, a UFRJ acumula uma dívida de R$ 28,5 milhões, valor superior ao da verba de R$ 22,9 milhões que lhe é destinada anualmente pelo MEC para custeio. O ministro, no entanto, não revelou de quanto será o aumento.
"Na discussão da autonomia universitária, vamos reformular a matriz da Andifes e teremos uma parte dos recursos vinculados à pesquisa, o que vai melhorar a situação da UFRJ", disse Paulo Renato. "A UFRJ é o caso mais importante de tratamento individualizado, pois tem o orçamento mais comprometido das universidades federais. Espero que, durante o segundo semestre, a gente possa ter uma situação já mais regularizada". O sub-reitor de Patrimônio e Finanças, Maurício Arouca, não está muito confiante na concretização do aumento de verbas. "Há um ano estamos discutindo essa possibilidade e nada ocorre; espero que seja verdade". Segundo ele, apenas a reforma estrutural do campus está avaliada em cerca de R$ 100 milhões.
Ensino profissionalizante - O ministro esteve no Rio para conhecer os projetos da prefeitura da cidade na área da Educação. Ele e o prefeito Luiz Paulo Conde anunciaram uma convênio para a construção de três escolas de formação técnica em áreas da prefeitura, com recursos do Programa de Educação Profissional (Proep) do MEC. Um dos locais escolhidos foi o prédio do antigo Hotel São Conrado Palace, desativado desde a década passada, que será transformado em escola profissionalizante para jovens da Favela da Rocinha, na zona sul.
"Acho esse projeto fantástico, porque não só dará utilidade para um prédio que está abandonado, como terá um impacto social muito grande", disse Paulo Renato. O ministro também voltou a comentar a realização do Exame Nacional de Cursos, o provão, e disse que os cursos que receberem três conceitos D ou E, ou dois insuficientes na avaliação das visitas feitas pelas comissões, vão passar "imediatamente" por um processo de renovação do reconhecimento. Projeto - O sub-reitor Maurício Arouca apresentou hoje um projeto de aproveitamento das áreas livres do câmpus da Ilha do Fundão, na zona norte do cidade, que inclui a construção de um shopping center, um hotel, um centro de convenções e um parque florestal. A medida é mais uma tentativa da universidade de superar uma de suas piores crises financeiras.
Segundo Arouca, apenas 30% da área total do campus - de 550 hectares, equivalente aos bairros de Ipanema e Leblon - é utilizada em atividades de ensino ou pesquisa. "A universidade ocupa uma área estratégica, e está discutindo o uso racional dessas áreas livres, que vai possibilitar uma autonomia futura"
acredita. A medida, no entanto, ainda precisa ser aprovada pelos conselhos superiores da UFRJ.

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