Repar ainda não concluiu estudo sobre vazamento
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quarta-feira, 16 de agosto de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
Um mês depois do vazamento de 4 milhões de litros de óleo cru da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar,) em Araucária, a Petrobras ainda não conseguiu concluir o estudo e o levantamento dos impactos ambientais causados pelo derramamento. O superintendente da refinaria, Rubens Eduardo Medeiros Novicki, não soubeu estabelecer quando vai se iniciar os trabalhos de biorremediação e de recuperação das regiões atingidas. Ontem, Novicki apresentou o balanço dos trabalhos feitos em um mês, depois do vazamento.
De concreto, Novicki apresentou os gastos que a Petrobras dispendeu para remediar os danos do derramento de óleo. Até o momento, foram pagos R$ 50 milhões, gastos em indenizações, contratação de pessoal, compra de maquinários e o pagamento da multa do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de R$ 40 milhões.
Novicki disse que a Petrobras ainda vai desembolsar mais R$ 19 milhões, nos próximos meses, para pagar projetos e serviços, que incluem os trabalhadores que estão nas áreas onde ainda existe óleo ou lixo sujo com petróleo. Além disso, há também o pagamento da multa do Ibama, disse Novicki.
O instituto multou a empresa em R$ 168 milhões, que devem ser pagos até segunda-feira. A decisão sobre o pagamento da multa depende da alta direção, afirmou. Ontem, a assessoria de imprensa da presidência da Petrobras não informou qual seria a posição da empresa.
Quanto ao petróleo que vazou, o superintendente da Repar informou que ainda
há combustível no local conhecido como ponto zero, que é uma várzea atrás da área de produção. Os rios estão limpos e quase todo o produto foi coletado, cerca de 99%, disse, acrescentando que nesse local foram derramados 2,3 milhões de litros de óleo cru. No entanto, Rubens Novicki acrescentou que ainda poderá ser visto o produto nas águas, mas em pequena quantidade. Ele admitiu que o combustível ainda se desprende das margens e também dos lixos no meio das águas.
Já o processo de recuperação da área e solo vai ser definido depois que entregar os estudos para o IAP e o Ibama, que devem analisar se o método é o adequado. A previsão é que entre uma ou duas semanas se inicie o processo de biorremediação (colocação de bactérias no solo que vão comer o petróleo). Já a recuperação total dos rios, o ambientalista Lauro Barcellos, do Centro de Recuperação de Animais Aquáticos da Universidade Federal do Rio Grande, que foi contratado pela Petrobras, informa que pode acontecer em cinco meses. Porém, ele avisou que a empresa vai se responsabilizar pela área entre a Repar, em Araucária, e o município de Balsa Nova, onde a mancha de petróleo foi retida.
Com relação aos animais, Barcellos disse que uma equipe deve continuar trabalhando no local. Até o momento, o único trabaho concluindo foi o censo das aves, em que se descobriu a existência de 3,4 mil animais de diferentes espécies. Já os animais contaminados com óleo, totalizaram 269, sendo 195 morreram.


