Foz do Iguaçu, 29 (AE) - A renúncia do presidente Raúl Cubas teve um impacto positivo no comércio de Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu. Um dia após o anúncio da mudança de governo do Paraguai, o movimento voltou ao normal na região. A situação é calma no país vizinho.
Mesmo assim, o Exército brasileiro permanece de sobreaviso para garantir a segurança da usina hidrelétrica de Itaipu.
Nem mesmo a chuva intimidou os sacoleiros, que foram cedo às compras para recuperar o tempo perdido durante a semana passada, quando a Ponte da Amizade, principal ligação entre Brasil e Paraguai, ficou fechada por 48 horas. O bloqueio durou das 11h de terça-feira até as 13h de quinta-feira, com intervalo de duas horas de desobstrução para o tráfego parcial de pessoas e ônibus de turismo retidos nos dois lados da fronteira.
O presidente do Centro de Importadores e Comerciantes do departamento de Alto Paraná (Cicap), Charif Hammoud, calcula que o comércio de Ciudad del Este vendeu só hoje cerca de US$ 2 milhões. "O faturamento foi acima do esperado para uma segunda-feira", comemora o empresário. Segundo estimativas do Cicap, as quase seis mil lojas de Ciudad del Este deixaram de comercializar algo em torno de US$ 5 milhões durante o bloqueio da ponte.
A renúncia do presidente Raúl Cubas trouxe tranquilidade e esperança para a população de Ciudad del Este. Os comerciantes e empresários paraguaios acreditam que o presidente do Senado, Luis Gonzales Macchi, que assumiu interinamente a presidência do país, vai se empenhar para melhorar a imagem do Paraguai no exterior e consequentemente recuperar as vendas do comércio vizinho.
Um levantamento realizado pelo Banco Central do Paraguai dá sinais claros de que o turismo de compras já não é auto-suficiente para garantir a sobrevivência econômica de Ciudad del Este.
De acordo com o BC, só nos últimos dois anos caiu pela metade o número de lojas da cidade. Foi reduzido de 5.177 estabelecimentos comerciais, em 1996, para 2.552, em 1998. O faturamento comercial também despencou. O valor baixou de US$ 4 3 bilhões, em 1995 para US$ 2,4 bilhões em 1998.
O estudo do Banco Central aponta que, antes da crise, Ciudad del Este respondia por 20% dos recursos tributários arrecadados pela União. Hoje, a cidade vive à mingua por causa da escassez dos sacoleiros.
As vendas, que já vinham registrando queda acentuada nos últimos dois anos, sofreram um impacto avassalador com a maxidesvalorização do real. O movimento comercial caiu cerca de 80% desde o início do ano. Mesmo assim, a reexportação de produtos asiáticos é atualmente a principal fonte de renda do município.

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