Viena, 29 (AE-AP) - Apesar da decisão do líder xenófobo Joerg Haider de renunciar à presidência do Partido Liberal (FPO) que dá sustentação ao governo ultradireitista austríaco no Parlamento, a União Européia (UE) manterá as sanções políticas impostas à áustria, informou hoje (29) o primeiro-ministro de Portugal e atual presidente da UE, Antônio Guterres. "O tema essencial não é o de uma personalidade, mas a natureza de um partido político que assumiu o poder", ressaltou Guterres.
Haider atribuiu a renúncia à chefia do FPO a uma decisão de "não molestar o trabalho do governo", presidido pelo conservador Wolfang Schuessel, submetido a grandes pressões internas e externas. Contudo, os meios políticos austríacos e europeus classificaram o comportamento dele de "pura estratégia política". Schuessel deve adotar uma série de medidas impopulares para reduzir o déficit orçamentário. Afastado, Haider preservaria a imagem e prepararia sua candidatura a chanceler (chefe de governo) na próxima legislatura, sustentam os analistas.
Mas, embora retirado, ele continuará a exercer grande influência no FPO, que será presidido por sua lugar-tenente Susanne Riess-Passer, mais conhecida como "Cobra Real (naja)". Ela já ocupa a vice-chanceleria austríaca.
Menos de 24 horas após ter garantido que não interferiria mais nas decisões do governo, Haider anunciou o nome do novo ministro da Justiça, que substituirá seu amigo pessoal Michael Krueger (ele deixou o cargo por motivo de saúde). Será Dieter Boechmdorfer, de 56 anos, também um dos homens do FPO de sua inteira confiança.