São Paulo, 09 (AE) - A resistência do governo federal em reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é a principal dificuldade na elaboração do programa de renovação da frota de veículos. A informação é do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto. Ele não acredita que o programa possa sair em setembro, como estava inicialmente previsto.
Indústria e trabalhadores já adiantaram, porém, algumas questões relativas ao programa. Ficou acertado o cronograma para retirar os carros velhos das ruas. No primeiro ano, serão sucateados os veículos com mais de 15 anos; no segundo ano, entrarão os que têm mais de 10 anos. Inicialmente, o programa previa três etapas com veículos de 13 anos, na fase intermediária.
Também está acertado que o programa valerá para todo tipo de veículo. Ou seja: o carro velho poderá ser substituído por qualquer modelo, em troca de redução de preços, na forma de incentivos fiscais e bônus das montadoras. A proposta inicial inclui apenas os carros com motor de 1.6 litro. A princípio, indústria e trabalhadores concordam que os carros velhos possam ser substituídos por outros usados. A idéia será ainda levada ao governador de São Paulo, Mário Covas.
Nas negociações que estão sendo feitas para a criação do programa também foi definido que o carro velho a ser sucateado pode ser, inclusive, aquele que não tem condições, sequer, de rodar. "Tanto faz se o veículo vai chegar rodando ou se está servindo como galinheiro", destacou Pinheiro Neto. As montadoras também estão fazendo testes com as siderúrgicas Gerdau e Belgo Mineira para elaborar os centros de sucateamento. Segundo Pinheiro Neto, não haverá reciclagem. As peças dos carros serão destruídas.
O programa de renovação de frota engloba 5 milhões de veículos que, sob a ótica dessas regras, não têm mais condições de rodar pelo País, por questões de segurança e de poluição. A Anfavea espera que, a cada ano, pelo menos 400 mil proprietários desses veículos façam a troca.
Para incentivar o sucateamento, o proprietário do carro velho receberia um bônus formado por descontos da indústria e concessionários e impostos mais baixos. Ele crê que o programa terá início este ano.
Para trocar o carro velho por outro, a gasolina, o desconto deverá chegar a R$ 1,8 mil. Segundo a proposta da indústria e dos trabalhadores, neste valor estariam incluídos R$ 600,00 na forma de desconto dado pelas montadoras e concessionários. Outros R$ 500,00 estariam sendo dados pelo Estado, na forma de redução de ICMS e, R$ 700,00 na forma de redução de IPI, pelo governo federal.
O governador Mário Covas já se prontificou a dar incentivos adicionais para os carros a álcool: dois anos de isenção de IPVA. Os usineiros também darão 500 litros de álcool, em dois anos. A indústria estima que o carro a álcool teria, com isso, um desconto de cerca de R$ 3 mil. Pinheiro Neto disse que o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, também se mostrou favorável à idéia de participar do programa.
Para tornar o programa obrigatório, será preciso que o governo federal regulamente a lei de inspeção veicular.

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