São Paulo, 12 (AE) - O programa de renovação da frota de veículos não poderá ser adotado se o governo não apressar a regulamentação da lei de inspeção veicular e não dará certo se não incluir carros usados. A opinião é do presidente da Volkswagen, Herbert Demel. A Volkswagen pretende atingir no Mercosul produção anual de 1 milhão de veículos, dentro de cinco anos, mais do dobro do volume de hoje. Mas Demel aponta a necessidade de mudanças estruturais para a retomada do crescimento econômico da região.
Para Demel, a lei de inspeção veicular é a única base possível para o programa de renovação de frota. "Existe uma lei já decidida, mas com a aprovação adiada não sei quantas vezes", disse. Para o executivo, a prevalecer o ritmo das discussões nos últimos meses, o programa não levará menos do que cinco anos para ser aprovado.
Para o presidente da Volkswagen, o programa da renovação da frota não precisa chegar ao ponto de aumentar a demanda anual em 400 mil veículos. "Isso é um sonho sindical", disse. Ele defende um volume extra de 100 mil, menor, mas constante. Ele teme que volumes muito altos possam representar uma demanda artificial.
Se os carros usados não forem incluídos no programa, muitos consumidores não terão acesso aos benefícios para liberar para a sucata os veículos com mais de 15 anos, segundo o executivo. "Quem tem um carro com 20 anos precisa ter a oportunidade de trocá-lo por um de 10 porque ele não terá como comprar um zero-quilômetro", destacou Demel.
Mercado - A Volkswagen pretende aumentar sua participação no mercado em um ponto porcentual, finalizando o ano com 30%. Conta, para isso, com o lançamento da terceira geração da linha Gol e Parati e o início da venda do modelo Golf nacional. "Estamos um pouco menos doentes que os outros", destacou Demel. No entanto, ele insiste que toda a indústria automobilística vai perder dinheiro este ano.
Mas o presidente da maior montadora do País reclama do atraso nas mudanças estruturais do País. Ele considera perigosa a euforia em torno da redução das taxas primárias de juros "num momento em que a crise ainda não foi ultrapassada".
O executivo alerta ainda para o risco da desvalorização cambial. Segundo ele, a economia suporta um câmbio de até R$ 1 95. "Acima de R$ 2,00 a luz se apaga", disse. Demel diz ter esperança na retomada do crescimento, mas lembra que "o FMI não é Papai Noel".
A crise brasileira não foi ultrapassada como também não há indícios de que o mercado de veículos possa este ano superar 1,2 milhão de unidades. Se o acordo emergencial, ou algo parecido, não for renovado, pode cair para 1 milhão, deixando deixar até 7 mil empregados ociosos somente na Volkswagen, segundo o presidente da montadora. No ano passado foram vendidos 1,5 milhão.
A Volkswagen produz em todo o mundo 20 mil veículos por dia. O resultado de vendas no ano passado cresceu 12% em relação ao anterior. Apesar da crise, a América do Sul e a ásia são pontos estratégicos para a companhia em razão da retração dos mercados da Europa e Japão.

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