São Paulo, 18 (AE) - O grupo que estuda a renovação da frota de caminhões vai propor a criação de linhas de financiamento para que o proprietário de veículo a ser sucateado possa adquirir um modelo usado. Além disso, será sugerida a criação de estímulos adicionais para compra de veículos movidos com qualquer tipo de combustível alternativo - e não apenas álcool. A idéia é incentivar a venda de caminhões movidos a gás.
Na próxima segunda-feira os representantes da indústria vão se reunir com os sindicalistas para dar prosseguimento às discussões. Os trabalhadores têm participação ativa porque o Finame - linha de financiamento - utiliza recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Recentemente o governo ampliou a linha do Finame de 60% para 80% do valor do veículo.
A principal preocupação do grupo é buscar meios de evitar que a renovação da frota simplesmente tire do autônomo a sua ferramenta de trabalho. Daí a proposta de criação de linhas de financiamento.
Diferentemente do segmento de automóveis, o de caminhões não pode, segundo o diretor de vendas da Mercedes-Benz, Roberto Bógus, contar apenas com um bônus. Os preços dos veículos são muito maiores. "Não podemos querer que o dono de um veículo velho, que custa R$ 10 mil ou R$ 20 mil, compre um novo, de mais de R$ 80 mil", disse Bógus. "A questão é muito mais complexa porque estamos tratando de um ganha-pão", completou.
"Não é também possível que o indivíduo que possui um caminhão que deverá ser sucateado seja o mesmo que vai comprar um zero-quilômetro", destacou Bógus. "Ele vai ter que ter acesso a um financiamento especial para poder comprar um menos velho", concluiu.
O executivo previu que o caminhão velho se transformará, com a renovação da frota, em moeda de troca. "O preço do caminhão velhinho vai subir porque ele começará a ser procurado pelo consumidor, de maior poder aquisitivo, que vai querer adquiri-lo para ter acesso aos benefícios do programa de renovação de frota para comprar um zero-quilômetro", destacou. Bógus disse ainda que o programa de renovação da frota só dará certo se existir um organismo, como na Europa, "com fé pública", capaz de fiscalizar e inibir a circulação dos veículos mais velhos.
Argentina - O presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Ben van Schaik, criticou hoje o programa de renovação da frota argentino, que exclui os carros produzidos no Brasil. "É fundamental que as autoridades da Argentina adaptem seu programa
estendendo os benefícios a todos os países membros do Mercosul", destacou.
Schaik apontou a renovação da frota como um programa que precisa ser estimulado no Brasil para reativar as vendas. "Os volumes de venda estão muito abaixo do desejável", disse. "Um País de dimensões continentais não pode ter um mercado de caminhões de apenas 45 mil unidades por ano", acrescentou. A frota de caminhões no Brasil tem idade média de 12 anos. Na Europa a média é de 5,7 anos. Dos veículos de carga que circulam em território brasileiro, 43% são Mercedes.
Na próxima segunda-feira à tarde o governador de São Paulo, Mário Covas vai reunir a indústria automobilística, o setor do álcool e os trabalhadores para discutir a proposta de ampliar os benefícios do programa de renovação da frota para os veículos movidos a álcool.
Mercado - A venda de 45 mil caminhões este ano representará uma queda de 12% na comparação com o ano passado. O mercado de ônibus vai encolher ainda mais. A direção da Mercedes prevê a venda total de 10 mil coletivos, 28,5% menos do que no ano passado. Esta queda, segundo Schaik, foi provocada pela desvalorização cambial aliada à instabilidade.
A Mercedes-Benz lançou hoje uma nova linha de caminhões médios, pesado e semipesados, concluindo, assim, a modernização de sua linha. A marca mantém a liderança nos dois segmentos, com 35% das vendas de caminhões e 68% em ônibus. Mas a chegada de novas marcas e investimentos dos antigos concorrentes preocupam a empresa.
A montadora vai investir este ano US$ 310 milhões. Deste total, US$ 130 milhões serão destinados à conclusão da fábrica do automóvel Classe A, em Juiz de Fora. O restante está sendo gasto na modernização da linha e desenvolvimento de novos produtos. No próximo ano, os investimentos da empresa vão totalizar US$ 220 milhões.

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