Diante de fenômenos de popularidade como o padre Marcelo Rossi em suas fileiras, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) quer atualizar as normas que regulamentam as linhas gerais da Renovação Carismática Católica (RCC). A intenção foi anunciada ontem pelo secretário-geral da entidade, dom Raymundo Damasceno. ‘‘A idéia é orientar e fixar diretrizes relacionadas às celebrações e à liturgia’’, disse ele.
Entre as novas orientações, a CNBB quer cautela quanto as curas atribuídas ao poder da oração. ‘‘Ninguém nega os milagres, mas a verificação exige prudência’’, diz dom Damasceno.
O secretário-geral deixou claro que a CNBB não defende a proibição dos ritos e atividades desenvolvidos pelos carismáticos, que reúnem milhares de pessoas em celebrações movidas a música e muita animação.
‘‘Há questões que estão surgindo agora que precisam de orientação’’, afirmou. O principal para os bispos é distinguir a ação evangelizadora desenvolvida pela Igreja das manifestações de massa que ganham crescente repercussão na sociedade em São Paulo, com o padre Marcelo Rossi e, no Rio, com o padre Zeca.
Mais do que isso, a igreja quer enfatizar a necessidade do contato direto entre os sacerdotes e os fiéis. ‘‘A Igreja está aberta para a presença nos meios de comunicação social, mas não podemos reduzir a isso a evangelização e a catequese’’, afirmou o vice-presidente da CNBB, dom Marcelo Carvalheira.
A atualização do texto que trata da RCC deve ser estudada inicialmente pela Comissão Episcopal de Pastoral da entidade, podendo ainda seguir para o Conselho Permanente. Segundo dom Raymundo, a discussão deverá ocorrer ao longo do ano que vem, sendo incluída na pauta da assembléia-geral da CNBB, em abril.

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