Washington, 24 (AE) - Sob forte crítica de políticos dos dois partidos e da comunidade cubana de Miami por ter usado força excessiva para tirar o menino Elián González da casa de seus parentes em Miami, no sábado, para reuni-lo com seu pai, em Washington, a ministra da Justiça dos Estados Unidos, Janet Reno
disse não se arrepender de ter ordenado a operação.
"Não foi uma decisão fácil e fiz de tudo para evitá-la, mas tendo determinado que devíamos ir adiante, a ação precisava ser executada da maneira mais profissional possível", disse ela, para justificar o uso de oito agentes federais armados que entraram na casa para remover Elián.
Paralelamente, o Departamento de Justiça negou a acusação feita pelo deputado cubano-americano Lincoln Díaz-Balard, segundo a qual o governo estaria drogando Elián para produzir as fotos em que ele aparece calmo e sorridente ao lado de seu pai. Um porta-voz classificou a afirmação do deputado de "absurda".
Na véspera, os parentes de Elián haviam acusado o governo norte-americano de falsificar as fotos que mostram o menino de seis anos sorridente em companhia do pai.
O presidente Bill Clinton, que endossou a decisão de Reno no sábado, mas procurou, ao mesmo tempo, distanciar-se do fato, apoiou de forma mais firme ontem a ação da ministra da Justiça. Por meio de seu porta-voz, Joe Lockhart, o presidente responsabilizou a intransigência dos parentes de Elián pelo episódio.
"Nada disso precisava ter acontecido", disse Lockhart, lembrando que as autoridades agiram com mandado judicial depois de semanas de negociações e do adiamento de vários prazos para a entrega do menino e somente depois que ficou patente que Lázaro González, o tio-avô do menino, não tinha nenhuma intenção de respeitar a lei.
Elián, seu pai, Juan Miguel, a madrasta e o meio-irmão passaram hoje o terceiro dia numa casa de hóspedes VIP na base aérea de Andrews. Pelo terceiro dia consecutivo, Juan Miguel negou-se a receber seu tio Lázaro e a prima Marisleysis González
que foram até Andrews para tentar ver o menino. Não estava claro se eles permanecerão na base ou se serão transferidos para outro local, onde aguardarão o julgamento dos recursos legais pendentes no caso, nos Estados Unidos.
Diante dos sinais de que os norte-americanos já estão fartos da novela, os parentes do menino, membros da comunidade cubana de Miami e alguns políticos em Washington continuaram hoje empenhados em mantê-la viva - com a ajuda de alguns jornalistas.
"O presidente Clinton visitou a nova casa de Elián González, mas apenas para tomar um avião", informou no início da tarde a Associated Press, numa notícia sobre a ida do líder americano a Andrews, que é a base do Boeing presidencial Air Force One, para tomar o avião para um compromisso em Nova York.
Lockart explicou que Clinton não tem nenhum plano de encontrar-se com Elián, porque tal reunião "seria a última coisa que estaria no melhor interesse do menino".
Em Miami, o caso continuou a gerar reações de indignação e surrealismo. Robert Vento, de 45 anos, que contou ter perdido seu pai na luta contra os revolucionários de Fidel Castro, em 1959, concluiu que o menino é um enviado de Deus. "Ele salvará os cubanos do comunismo", disse, depois da missa de Páscoa, no domingo, numa igreja de Little Havana.

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