Miami, 20 (AE-AP) - Confrontada por um veredicto judicial que criticou as atitudes do governo no caso Elián González, a secretária de Justiça dos Estados Unidos, Janet Reno, cancelou uma visita a uma reserva indígena no Estado de Montana e retornou a Washington hoje (20), com o objetivo de trabalhar no caso do menino cubano.
Ao mesmo tempo, os parentes de Elián em Miami analisavam a possibilidade de promover um encontro do menino com seu pai, Juan Miguel González, que está em Washington.
Na vitória mais recente dos parentes de Miami, a 11ª Corte Federal de Apelações, em Atlanta, decidiu na quarta-feira, por meio de uma comissão de três juízes, que o menino de seis anos tem de permanecer nos Estados Unidos até que a Justiça decida se lhe concederá uma audiência sobre asilo.
A determinação do tribunal, porém, não impede o governo de reunir o menino e seu pai, que chegou a Washington há duas semanas, acompanhado da segunda esposa e do filho de seis meses, meio-irmão de Elián.
Reno, que se encontrava ontem em Oklahoma City participando de uma cerimônia pelas vítimas do atentado a bomba que há cinco anos destruiu um edifício do governo, disse que acatará a ordem do tribunal.
"Mas a ordem não vai contra a minha determinação, não diz que o menino não pode ser reintegrado ao pai", declarou a secretária. "Creio que Elián tenha que reencontrar o pai e sempre disse isso."
Os advogados dos parentes de Miami, entretanto, reiteraram hoje a proposta de promover um encontro de Elián com o pai. Acrescentaram que a reunião pode ser em qualquer lugar do país, mas ressaltaram que o menino está relutante em entrar em um avião.
"Chegou a hora de a família se reunir para tratar dessa questão como família, sem condições, sem governo, sem advogados", declarou Kendall Coffey, advogado do tio-avô de Elián, Lázaro González, que tem a guarda temporária do menino.
Segundo Coffey, a família prefere que o encontro seja perto de Miami porque Elián tem medo de ser levado de volta para Cuba. "Em vez de insistir que o menino vá a Washington, por que um adulto não pode pegar um avião e descer no sul da Flórida? Talvez ele pudesse vir na Páscoa", disse o advogado.
Por seu lado, o advogado de Juan González, Gregory Craig, disse que qualquer encontro tem de ser precedido pela entrega da guarda ao pai. "Já é mais do que tempo de Elián ver o pai", disse Craig.
"O único encontro com o qual realmente nos importamos é a reunião de pai e filho. Depois disso, a família pode conversar".

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