Rennó pede demissão da presidência da Petrobrás
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Por Irany Tereza 
Rio,05 (AE) - O presidente da Petrobrás, Joel Mendes Rennó, pediu demissão no início da noite de hoje, depois de dirigir a estatal por seis anos e três meses, o mais longo tempo de permanência na presidência da companhia em sua história. Rennó anunciou sua decisão em entrevista antes mesmo de o presidente Fernando Henrique Cardoso ter sido informado oficialmente do pedido.
Ele afirmou que seu substituto seria o diretor da área de Transportes, almirante Arnaldo Leite Pereira, mas o Ministério das Minas e Energia, no mesmo momento, informava de Brasília que em seu lugar ficará o vice-presidente da Braspetro, José Coutinho Barbosa. Rennó declarou que já havia pedido demissão ao então ministro das Minas e Energia, Raimundo Britto, desde 9 de dezembro, e depois havia reiterado ao atual ministro, Rodolpho Tourinho.
Rennó pede demissão uma semana depois de terem sido vazadas informações de que seu cargo seria ocupado pelo ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Mas, embora afirmando que isso nada teve a ver com sua decisão, o ex-presidente da empresa tomou uma atitude absolutamente contraditória com o perfil adotado durante o tempo em que esteve à frente da estatal. Pela primeira vez, ele divulgou uma notícia sem antes tê-la formalizado com o governo.
O pedido de demissão, encaminhado ao ministro Tourinho, sequer havia sido levado ao conhecimento do presidente Fernando Henrique Cardoso, no momento em que ele anunciava sua saída, em entrevista coletiva.
Rennó nem esperou a Assembléia Geral Extraordinária da companhia, já marcada para o próximo dia 16, para entregar o cargo. "Eu achei que a minha missão já estava cumprida", afirmou, descartando a possibilidade de voltar à estatal como integrante do Conselho Administrativo. Apesar de tentar atribuir a sua saída a uma decisão voluntária, a expectativa, no mercado e no governo, era de que o dirigente seria exonerado na assembléia, que mudará todo o comando da Petrobrás.


