Rio, 05 (AE) - O presidente da Petrobrás, Joel Mendes Rennó, acredita que "não é o momento" de pôr em pauta a privatização da empresa. A medida chegou a ser cogitada pelo jornal de economia japonês Nikkei, como uma recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI) para aumentar o ingresso do capital externo no País e reforçar o caixa do Tesouro. Para Rennó, a Petrobrás tem apresentado "excelentes resultados" e merece ser testada no cenário de abertura do setor.
A possibilidade de privatização da Petrobrás divide opiniões dentro do governo. Há cerca de um mês, a BNDESPar, empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, concluiu estudo de 82 páginas com uma espécie de radiografia econômico-financeira da empresa. De acordo com o levantamento, a Petrobrás pode chegar ao ano 2000 valendo US$ 41 bilhões.
Na época que antecedeu a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, foi feito um estudo semelhante, mas a direção da BNDESPar diz que no caso da Petrobrás a pesquisa servirá apenas como subsídio para aplicações. Rennó repete, sempre que indagado a respeito, que estes assuntos devem ser tratados "pelo acionista majoritário", a União. Mas lembra que a Lei do Petróleo, sancionada em agosto de 1997, prevê que o governo mantenha, pelo menos, 50% mais uma ação e permaneça majoritário na participação acionária.
"Se está na lei, não há o que discutir neste aspecto de privatização", disse hoje, depois da assinatura de contratos de parceria em exploração e produção na Bacia de Campos. Os acordos
firmados com Amerada Hess e British-Borneo, ambas do Reino Unido, além da brasileira Odebrecht, no valor de US$ 41 milhões, elevam para 13 o número de empresas estrangeiras operando no Brasil, em associação com a Petrobrás. "Acho que temos de testar o funcionamento da nova lei do petróleo e não é o momento para comentar um assunto como este (privatização)", diz Rennó.
O diretor-executivo da British-Borneo, Steven Holliday, diz que o investimento de US$ 30 milhões que a empresa fará no Brasil é o maior em projeto individual da companhia no mundo. "Isto significa que estamos acreditando na superação da crise no País para aplicar a longo prazo", diz Holliday.
Conta petróleo - A desvalorização do real frente ao dólar deve reduzir de R$ 500 milhões para cerca de R$ 100 milhões o superávit mensal da Parcela de Preço Específica (PPE) que a Petrobrás estava usando para abater a conta petróleo e reforçar o caixa do Tesouro.
Segundo o diretor-financeiro da estatal, Orlando Galvão, se o real mantiver a cotação de 1,80 em relação ao dólar, a conta mensal ainda dará superávit. Mas se a cotação passar de R$ 2, o resultado poderá voltar a ser negativo, aumentando a dívida da União com a Petrobrás. Atualmente, este débito, que já chegou a R$ 7 bilhões, está em torno de R$ 4 bilhões.

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