Rio, 25 (AE) - Os ganhos de rendimento dos trabalhadores depois do início do Plano Real, que completa cinco anos na próxima semana, começaram a declinar neste ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "A tendência dos últimos meses é de queda de rendimentos para os trabalhadores com carteira assinada e por conta própria", afirmou a chefe do Departamento de Emprego e Rendimentos do instituto, Shyrlene Ramos de Souza.
O recuo nos ganhos dos trabalhadores é explicado pela crise econômica a partir do ano passado, quando o desemprego alcançou níveis recordes, segundo Shyrlene. Desta forma, o rendimento dos trabalhadores sem carteira assinada aumentou 36% desde o início do Plano Real, enquanto o crescimento para os trabalhadores com carteira chegou a 13,6%, e os trabalhadores por conta própria, 28%.
Entre 1995 e este ano, o rendimento total dos trabalhadores ocupados cresceu 21%. Na divisão por setores da economia, o ganho foi de 14% entre os empregados da indústria, 13% no setor de construção civil e 23% para os funcionários do setor de comércio e serviços. O levantamento do IBGE também mostrou que o nível de trabalhadores empregados na indústria caiu 16%, desde julho de 1994, mas o movimento é resultado da abertura econômica da década, afirmou Shyrlene.
"O Plano Real foi criado para controlar a inflação, não teve relação direta com o fenômeno", disse a técnica do IBGE. Ela chamou a atenção para a "saturação" do comércio, que não tem mais capacidade de absorver empregos extintos na indústria. De 1994 até agora, o número de pessoas empregadas no comércio aumentou 18%, e nos serviços (setor financeiro, autônomos), cresceu 17%.
Estabilidade - O acompanhamento das taxas de desemprego do IBGE mostra que, após o grande aumento do número de demissões a partir do fim de 1997, quando houve a crise asiática, o índice vem se mantendo estabilizado neste ano, mas em um patamar alto. Das seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE para acompanhar o mercado de trabalho, o Rio de Janeiro mostrou uma ligeira recuperação em 1999, ficando em 5,31% em maio.
Em Belo Horizonte, o desemprego continua a aumentar, e chegou a 7,33% no mês passado, por causa das dificuldades da indústria local, segundo Shrylene. A divisão por sexos mostra que as taxas de desemprego continuam maiores entre as mulheres, atingindo 8,48% em maio, do que entre os homens, onde o nível é de 7,15%. Mas o número de mulheres sem emprego vem caindo levemente neste ano, afirmou a técnica do IBGE, que não soube explicar o fenômeno. "É muito recente ainda para permitir uma avaliação", explicou.

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