São Paulo, 24 (AE) - O rendimento dos ocupados continua em queda. Em dezembro, decresceu 0,8% e a média de ganho foi de R$ 836 por trabalhador, R$ 7 a menos do que no mês anterior. Trabalhadores da indústria foram os que mais perderam: 3,4%. Os índices já estão deflacionados e por isso correspondem a perdas reais.
Segundo o diretor-técnico do Dieese, Sérgio Mendonça, o cenário de Produto Interno Bruto (PIB) negativo, combinado com uma inflação próxima a dois dígitos, significará um considerável arrocho na renda do trabalhador. O tamanho dessa perda ele preferiu não calcular, já que depende de outras variáveis: a volta ou não da indexação de salários, o reajuste do salário mínimo em maio, o nível de estabilização da taxa de câmbio (que regula parte dos preços) e a demora disso, o índice exato de inflação e outras.
Para o diretor-executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco, num primeiro momento a queda de rendimentos acompanhará a do PIB. Caso a inflação aumente mais do que o estimado pelo governo (cerca de 10%) será de se esperar que comece uma briga no País pela recomposição de parte ou da totalidade dos ganhos. Assim, segundo ele, ainda é cedo para estimar alguma coisa: a renda vai cair, com certeza, mas não se sabe quanto.

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