Rendimento de assalariados cai outra vez
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 24 (AE) - A atividade econômica no segundo semestre deve melhorar, mas não "explodir", segundo avaliação do diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça. É que, entre outras coisas, o poder de compra da população trabalhadora sairá muito arranhado dessa última crise. De novo, em abril, o rendimento médio real dos ocupados caiu, desta vez 1%. Parece pouco, mas o ritmo continuado de empobrecimento já causa preocupação aos economistas. "De um em um, a coisa está se complicando", avisou o economista.
Este ano, até abril, o rendimento dos ocupados já caiu 4 9%. Em 12 meses, o encolhimento é de 6,7%. Para os não assalariados, a queda foi superior a 10% desde abril do ano passado. O caso dos autônomos, que no período áureo do Plano Real seguraram a renda média da população, hoje é de séria crise
com queda de 16% nos rendimentos. Já a massa de rendimentos (soma de todos os ganhos provenientes do trabalho) na Grande São Paulo sofreu redução de 7,2% em igual período.
Para Mendonça, com o desemprego em nível alto e uma recuperação da atividade que aponta para criação de postos de trabalho precários, em sua maioria, dificilmente a renda se recuperará este ano. "A queda dos rendimentos deve apenas se desacelerar no segundo semestre", disse. "Se houver crescimento, será tímido." Segundo ele, as condições de aquecimento da atividade estão já definidas e a contribuição da política econômica para isso está próxima ao esgotamento. Os juros não devem cair muito mais do que os atuais 21% ao ano (taxa básica ou Selic), definidos ontem - talvez cheguem a 19% e por aí fiquem.
Redução maior, de acordo com ele, colocaria em risco a capacidade de atração de investimentos externos, já ameaçados por um possível aumento de juros nos Estados Unidos, que representam mercado com menor grau de risco para o investidor. Além disso, o governo estará controlando eventual crescimento exagerado, que seria incompatível com a manutenção da inflação em níveis baixos.


