Renda per capita domiciliar do Paraná é a menor do sul do País
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
O Brasil registrou renda familiar média per capita de R$ 1.268 em 2017, variando entre os índices do Distrito Federal (R$ 2.548), que lidera o ranking, e Maranhão (R$ 597), o último da lista. O Paraná obteve a média de R$ 1.472, o menor desempenho do Sul do Brasil, ficando atrás do Rio Grande do Sul (R$ 1.635) e Santa Catarina (R$ 1.597).
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Pela ordem aparecem São Paulo (R$ 1.712) com a segunda maior renda per capita, Rio Grande do Sul (R$ 1.635), Santa Catarina (R$ 1.597), Paraná (R$ 1.472) e Rio de Janeiro (R$ 1.445). Dezenove estados tiveram resultados abaixo da média nacional. E 14 deles, com valores abaixo do salário mínimo nacional R$ 954,00. Na lista dos cinco estados com menor rendimento domiciliar per capita estão, além do Maranhão, os Estados de Alagoas (R$ 658), Pará (R$ 715), Piauí (R$ 750) e Acre (R$ 769).
Segundo Daniel Nojima, diretor do Centro de Pesquisa do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), essa discrepância entre estados é natural considerando que o resultado da pesquisa é vinculado ao grau de desenvolvimento. "Norte e Nordeste possuem um desnível grande de desenvolvimento. Distrito Federal é um caso à parte, pela característica de setor público, acaba tendo essa diferença brutal. Mas, depois de São Paulo, a gente vê que estados do Sul e Sudeste possuem diferenciação mais homogênea", explica.

O especialista faz comparação com o Rio Grande do Sul, que, segundo ele, possui características socioeconômicas e componentes demográficos semelhantes ao do Paraná. De acordo com Nojima, a pirâmide etária favorecida, com mais pessoas na idade de trabalho; o número médio por domicílio menor; maior agregação de valor ao campo; e estrutura mais estabelecida são os fatores que fazem com que o Estado gaúcho fique acima no ranking em comparação ao Paraná.
Em relação a Santa Catarina, o diretor explica que são características socioeconômicas diferentes. No Estado vizinho, a produção agrícola inferior acaba colocando um número menor de pessoas na agropecuária. Indústria e serviços geram rendimentos maiores. "A gente tem um número maior de pessoas dedicadas à atividade agropecuária. Se você vai numa atividade mais urbana, a tendência é ter uma diferença de rendimento", defende. Nojima explica que a maior agregação de valor está vinculada a serviços e indústrias, por isso acredita na força da agroindústria paranaense como modificadores positivos no aspecto econômico.
Na tentativa de disputar melhores posições no ranking de renda per capita, o especialista acredita que o Paraná tem boas condições, considerando sua infraestrutura de transporte, que julga razoável, e as melhorias no Porto de Paranaguá nos últimos anos. A estratégia indicada para aumentar a renda não é muito diferente do que a que deveria ser aplicada a outros Estados. "Aumentar os níveis de produtividade da mão de obra, e nisso, a gente precisa continuar investindo em educação, aumentar os anos médios de estudo. Além disso, aumentar a taxa de investimento. Nisso, a infraestrutura é a linha chave, porque influenciaria todos os outros setores. Junto com a questão da educação, permite que haja uma redistribuição dessa agregação de valor", finaliza.
A renda familiar per capita é usada para estabelecer os critérios de rateio do FPE (Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal), os valores são calculados com base na Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que, a cada trimestre, envia informações socioeconômicas e demográficas de aproximadamente 211 mil domicílios ao TCU (Tribunal de Contas da União). (Com Agência Brasil)


