Renda de exportações agrícolas deve forçar queda do dólar
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sexta-feira, 05 de março de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 06 (AE) - O início da safra agrícola, neste novo cenário cambial, desencadeia um processo de transferência de renda para as regiões produtoras. A entrada dos dólares provenientes das exportações da produção de grãos ajuda também a destravar o mercado de câmbio, derrubando as cotações do dólar.
Esse é o prognóstico de alguns analistas dos setores financeiro e agrícola, que esperam uma elevada entrada de divisas no País, com a comercialização da produção de soja, estimada em 32 milhões de toneladas.
Eles acreditam, porém, que o valor das operações é insuficiente para neutralizar a forte pressão exercida pelas empresas endividadas em dólares, que precisam cumprir compromissos no exterior.
"O que influenciou e contribuiu de fato para arrefecer o mercado de câmbio foi a definição da política monetária e cambial a ser executada pelo Banco Central, com a posse de Armínio Fraga na presidência da instituição na semana passada", afirma o analista do mercado de câmbio da Corretora Fair, Alberto Alves Sobrinho.
Para ele, a escassez de crédito às exportações poderá anular os efeitos positivos do início da safra de produtos predominantemente dirigidos para o mercado externo.
Alves Sobrinho diz que habitualmente a oferta de crédito para o financiamento das exportações era de US$ 40 bilhões. Hoje
com o abalo na credibilidade do País, o volume está reduzido a US$ 16 bilhões e, ainda assim, só é dirigido a clientes especiais, porque os bancos temem a inadimplência.
Tamanho - A maioria dos analistas de câmbio não tem dúvida, porém, quanto ao efeito positivo da exportação de grãos no mercado de dólar. As operações primárias (de comércio exterior) respondem por algo em torno de 30% a 40% do giro do mercado, estimado em US$ 1,2 bilhão.
Obviamente, esse total abrange a exportação de vários produtos, mas os grãos têm participação significativa. "Se considerar que o mercado ainda está seco de dólares, o que entrar vai fazer diferença", observou o diretor-financeiro do banco CCF, Carlos Calabresi.
Algumas grandes empresas que operam com commodities dispensam o crédito dos bancos. Os negócios são feitos com pagamento à vista, com fechamento de operações de câmbio diárias
o que provoca grande movimentação no mercado.
Primeiros embarques - Só neste mês os principais exportadores de soja deverão despejar US$ 300 milhões no mercado de câmbio, resultado do embarque de pouco mais de 1,4 milhão de toneladas de soja. É volume modesto, próprio de um início de safra, considerando que apenas 5% do produção nacional estão colhidos. No total, serão entre US$ 4 bilhões e US$ 4,5 bilhões no ano, dependendo das cotações do mercado internacional.
Boa parte dessas exportações deverão estar concentradas entre abril e junho. Do total da safra brasileira de soja, de 32 milhões de toneladas, apenas 12 milhões de toneladas serão consumidas no mercado interno. As 20 milhões de toneladas restantes serão dirigidas ao mercado internacional, em grão, óleo ou como farelo.


