Renda agrícola cresce 18% neste ano, prevê estudo
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domingo, 07 de março de 1999
Por Fatima Cardoso 
São Paulo, 08 (AE) - A renda agrícola terá aumento de 18% este ano, aponta um estudo da consultoria da MB Associados. Foram avaliados o desempenho de 11 produtos. Destes, feijão (78%), trigo (50%) e arroz (40%) devem apresentar maior crescimento de renda. Duas culturas apresentam queda: café (-13%) e cana (-2%).
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está prevendo um aumento de 9,1% da safra de grãos 98/99 para 83,765 milhões de toneladas. Esse resultado já indicaria um aumento de renda, mas o que realmente está determinando essa forte evolução é a desvalorização do real, segundo a consultora Leila Campos Vieira, especialista da área agrícola da MB Associados.
Na verdade, o setor agrícola tem mais um motivo para abocanhar aumentos de preços: os estoques oficiais de alimentos estão em níveis historicamente baixos. Leila prevê aumentos de preços em reais para quase todos os produtos em relação à média da safra passada: soja e café, 25%; algodão, 10%; milho, feijão e batata, 5%; arroz, 3%; tomate, 8%; laranja, 15% e trigo, 20%. A exceção é o açúcar, que deve ficar com preço estável.
A consultora explica que considerou nestes cálculos a participação do Brasil na formação mundial de preços de cada produto. O estudo destaca também a distribuição da evolução da renda por regiões do País.
O Nordeste registra o maior crescimento de renda, de 53%. A região deve se recuperar da seca da safra passada e voltar aos níveis normais de produção. Em segundo lugar vem o Centro-Oeste, cuja grande produção de soja será beneficiada pela desvalorização.
Leila destaca que o estudo avalia apenas a renda bruta do setor e não a rentabilidade, que depende do aumento de custos. Segundo a consultoria, o aumento de renda bruta na safra 97/98 foi de 12,3%.


