Renault quer abocanhar 10% do mercado em 2003
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Marli Olmos 
São José dos Pinhais, PR, 2 (AE) - No próximo sábado (4)
a Renault, fábrica de automóveis francesa, completa um ano de Brasil ocupando o quinto lugar no mercado, com participação de 2 3% das vendas. Com 1.700 empregados, a empresa produz dois modelos, o Scénic e o Clio, num ritmo próximo a 200 unidades por dia.
Para diminuir a dependência de componentes importados, a empresa inaugurou hoje uma fábrica de motores no Paraná. A empresa se prepara para abrir a centésima concessionária. No ano 2003 serão 200 revendas, número que o presidente da companhia no Mercosul, Luc-Alexandre Ménard, considera adequado para abocanhar 10% do mercado.
"Os concorrentes devem ficar com medo", afirmou o vice-presidente mundial da Renault, Pierre-Alain De Smedt, numa referência quase direta à Ford, que ocupa a quarta posição, com fatia de mais de 8%.
De Smedt assumiu o cargo há menos de dois meses, depois de ser localizado por um head hunter. Sua experiência como presidente da Autolatina foi favorável para ele ser escolhido ao cargo.
Os recursos destinados para a construção das fábrica de carros e as de motores somarão US$ 920 milhões. A participação do governo paranaense no capital diminuiu de 40% para 15% durante os 12 meses de atividades em razão dos novos investimentos.
Fusca - De Smedt foi presidente da Autolatina de 1991 a 1994 e presidente da Volkswagen nos dois anos seguintes. Respeitado no setor, ele ganhou ainda mais destaque quando se transformou num dos protagonistas da negociação do carro popular. Foi numa reunião com ele que o ex-presidente Itamar Franco deu à Volkswagen a idéia de relançar o Fusca. A Volks aceitou a sugestão em troca de incentivos fiscais. O projeto do carro popular veio na sequência.
Nascido na Bélgica, formado em economia e engenharia, De Smedt conta que demorou quatro meses para aceitar o convite da Renault. "Foi difícil deixar uma empresa onde trabalhava desde 1973", disse. Como funcionário da Volks, ele passou pela Europa
Brasil e nos dois últimos anos foi presidente da Seat, também do grupo Volkswagen. O executivo de 55 anos mudou-se em outubro de Barcelona para Paris. Num português com boa fluência, Smedt, garante, porém, sentir muita falta do Brasil.
Redução de custos - Ao adquirir parte das ações da japonesa Nissan este ano, a Renault transformou-se no quarto maior grupo da indústria automobilística do mundo, com a produção anual de 5 milhões de veículos. A empresa já conseguiu concluir dois terços de um ousado programa de redução de custos, que prevê a economia de cerca de US$ 4 bilhões em todo o mundo até 2003,
A redução de custos é palavra de ordem na empresa, segundo Smedt. Ao saber que os fornecedores brasileiros estão reclamando da pressão dos custos de matérias-primas, o executivo disse: "O pior que poderia acontecer para o Brasil seria estar fora desse processo". Para ele, o importante é estar inserido na produção de veículos mundiais. "O mundo mudou e o Brasil está participando do desenvolvimento de carros mundiais."


