Rio, 01 (AE) - A Renault vai investir no Brasil este ano cerca de US$ 250 milhões do total de US$ 1 bilhão que a empresa está destinando ao País com a construção da fábrica em Curitiba, que entrou em operação há dois meses, e a instalação de 160 concessionárias autorizadas nos Estados. O vice-presidente mundial da montadora francesa, Carlos Ghosn, afirmou hoje que a diretoria decidiu manter o projeto de transformar o Mercosul no segundo mercado da empresa, atrás somente da Europa, apesar da crise financeira.
"Apesar das dificuldades que o País atravessa, a longo prazo o Brasil é bom negócio para a Renault", declarou Ghosn, que hoje assinou, no Rio, acordo de pesquisa com a Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da UFRJ. O laboratório, que receberá por ano 3 milhões de francos da empresa, vai desenvolver veículos adaptados à realidade do mercado nacional e dos países vizinhos.
A Renault foi em 1998 a marca mais vendida na Europa Ocidental, com participação de 11% no mercado automotivo. Em nível mundial, porém, a empresa está em décimo lugar no ranking e pretende ganhar posições investindo maciçamente no mercado sul-americano. "Vamos chegar ao ano 2005 com 10% de participação nas vendas de automóveis no Mercosul", garante Ghosn. Com cerca de 5% deste mercado no ano passado, a montadora ainda está longe da meta indicada, mas já ocupa a liderança na Argentina. No Brasil está em quinto lugar, atrás das mais antigas montadoras em operação: Ford, Volks, GM e Fiat.
A crise fez com que alguns projetos fossem arquivados, como a montagem de utilitários leves na fábrica de Córdoba, na Argentina, que estava sendo estudada para o ano que vem. "A situação econômica mudou fortemente e decidimos esperar", disse o diretor da Renault para o Mercosul, Luc-Alexandre Ménard. "Mas o mercado brasileiro é prioritário na estratégia internacional de nossa empresa", comentou. A fábrica de Córdoba
que produz cerca de 200 carros por dia, também teve de ser fechada por todo o mês de janeiro, em férias coletivas, para tentar driblar os efeitos da crise.
"Quando decidimos investir no Brasil, sabíamos que o crescimento do País não seria linear", afirmou Ghosn, brasileiro de Rondônia, radicado na França e com dupla cidadania desde criança. "A nossa estratégia não mudou, mas sofreu adaptações táticas em função da evolução do mercado", disse. Segundo ele, a fábrica do Paraná, que produz cerca de 70 unidades por dia, deve chegar ao fim do ano com produção quase equivalente à sua capacidade, de 120 mil veículos/ano.
Esta semana começam a ser vendidos no Brasil carros do modelo Scénic produzidos no Sul do País. O lançamento do Clio 2 está previsto para outubro e ainda há o projeto de montagem de uma furgoneta para o fim do ano. Segundo Ghosn, quando estiver em plena operação, a fábrica da Renault terá oferta de 2 mil empregos diretos; seus principais fornecedores, mais 2 mil, e a rede total fornecedores, 10 mil empregos.

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