Curitiba, 28 (AE) - A Renault lançou hoje a pedra fundamental da fábrica de motores, que será construída no terreno onde já está a fábrica de automóveis da montadora francesa, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O investimento previsto inicialmente, de US$ 80 milhões, foi aumentado para US$ 120 milhões, com as perspectivas favoráveis para a exportação. A Renault também anunciou um acordo com a Peugeot, que comprará 250 mil motores fabricados no Paraná, entre 2001 e 2005.
O presidente da Renault do Brasil e diretor-geral para o Mercosul, Luc-Alexandre Ménard, disse que a desvalorização cambial foi fundamental para a decisão da empresa de ampliar a fábrica em 3 mil metros quadrados e aumentar a capacidade de produção de 220 mil para 280 mil motores ao ano. "No projeto inicial, não estava prevista a exportação", afirmou.
O desenho da fábrica permite uma ampliação futura para até 400 mil motores por ano. Ménard espera começar a fabricar os motores em janeiro de 2000.
Nesse ano, a Renault pretende produzir 57 mil unidades e ir crescendo gradualmente até 2002, quando seria atingida a marca de 280 mil motores. Inicialmente, serão produzidos modelos 1.0 e 1.6, que representam 80% das necessidades das fábricas da Renault no Mercosul.
Do volume produzido, 30% serão destinados à PSA Peugeot Citro$n, que fabricará, a partir de 2001, o Peugeot 206 1.0, em Porto Real (RJ).
Ménard não quis revelar o valor do contrato com a Peugeot. "É um bom negócio para eles e um bom negócio para nós", disse. O motor que será entregue à Peugeot é o mesmo que a Renault utilizará no Clio 2. Dos 70% de motores restantes, que serão produzidos pela Renault, 50% serão exportados e 50% utilizados na fábrica de automóveis de São José dos Pinhais. A nova fábrica empregará 400 pessoas diretamente.
De acordo com o diretor de Mecânica da Renault no Mercosul, Gilles Levassor, a intenção é ter entre 85% e 90% de nacionalização do motor a partir do ano 2001. A fábrica de Córdoba, na Argentina, não será desativada, devendo realizar trabalhos de acabamento. "Com a desvalorização do real e o peso argentino vinculado ao dólar, a vantagem dos produtos fabricados no Brasil é muito forte", afirmou o presidente Luc-Alexandre Ménard.
Segundo Ménard, a Renault pretende conquistar 10% de participação no mercado brasileiro até 2005. Nos três primeiros meses do ano, a montadora respondeu por 2,4% no mercado nacional. Em um mês de comercialização do Scénic fabricado no Brasil foram vendidos mais de dois mil carros. "É uma prova de que estamos no caminho certo", afirmou Ménard.

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