São José dos Pinhais, PR, 2 (AE) A Renault inaugurou hoje no Paraná (PR) uma fábrica de motores que destinará 50% da produção para a exportação, inclusive para a Europa. A montadora francesa pretende faturar com as exportações dessa unidade US$ 500 milhões entre os anos 2001 e 2005, o que resultará na média de US$ 100 milhões por ano.
Do investimento total de US$ 220 milhões, US$ 120 milhões foram gastos na fábrica que já começou a produzir os motores que também equiparão os carros produzidos no Brasil. Em 2001, serão aplicados mais US$ 100 milhões numa outra planta, que fabricará os componentes do motor.
Dobrar o investimento para produzir as peças do motor também no Brasil foi a forma que a Renault encontrou para driblar as perdas com a desvalorização cambial. Assim, com a produção, em fábrica anexa, de blocos, cabeçotes e virabrequins, a empresa vai ser menos dependente da importação.
O índice de nacionalização do Clio, o modelo compacto da marca, lançado no mês passado, vai passar de 70% para 85%. O conteúdo de peças nacionais no Scénic, o modelo médio, passará de 68% para 90% com a nacionalização do motor.
Com capacidade inicial para produzir 280 mil unidades por ano, a nova fábrica da Renault alcançará 400 mil motores por ano, quando o investimento total for concluído. A empresa também será a fornecedora dos motores do carro que a Peugeot fabricará no Brasil a partir do próximo ano, o modelo Peugeot 206. A nova linha produzirá a família de motores K4M de quatro cilindros e 16 válvulas 1.6 e 1.0. Foram criados 400 empregos.
O início de operação da fábrica brasileira determinará o final das atividades com motores na Argentina. Segundo o presidente da Renault para o Mercosul, Luc-Alexandre Ménard, a linha da Argentina produz motores para os modelos mais antigos também produzidos no país vizinho ficou desatualizada. Mas a operação na Argentina é pequena. "É só um departamento dentro da fábrica de carros e os 100 empregados poderão ser aproveitados".
A inauguração da nova fábrica hoje contou com diretores da Renault do Brasil, Argentina e França, o ministro interino do Desenvolvimento, Milton Seligman, o governador do Paraná, Jaime Lerner, e políticos da região. Segundo Lerner, a indústria automobilística do PR, que se transformou no segundo maior pólo do setor no País, já atraiu para o Estado 49 empresas de autopeças.

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