Renault e Nissan pretendem ter 10% do mercado mundial
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quarta-feira, 20 de outubro de 1999
Por Rita Tavares* 
Tóquio, 21 (AE) - Até 2002, a Renault e a Nissan, que fecharam um acordo de parceria em março, querem ter juntas uma participação de 10% no mercado mundial de veículos (58 milhões de unidades em 1998, segundo a revista Automotive News). Hoje, as duas empresas têm 9,1% do mercado mundial. O anúncio foi feito hoje (21) pelos presidentes da Renault, Louis Schweitzer, e da Nissan, Yoshikazu Hanawa, durante o 33º Salão Internacional do Automóvel em Tóquio.
Desde a assinatura do acordo entre as duas empresas, quando a Renault investiu US$ 5,4 bilhões na montadora japonesa, a entrevista dos dois presidentes foi o primeiro comunicado público dos planos conjuntos para o futuro. Dois dias antes, a Nissan anunciou um plano de recuperação que prevê a demissão de 21.000 empregados no mundo. Hanawa, pressionado pela imprensa do Japão, onde ocorrerá a maioria das dispensas, estava visivelmente constrangido e dizia que o plano é o caminho para salvar a Nissan.
Em 2002, as empresas querem ter plataformas comuns para a produção de veículos com suas marcas próprias. Cada plataforma produzirá 500 mil unidades. Hoje, uma plataforma da Renault fabrica 280 mil veículos e uma da Nissan, 100 mil unidades. De imediato, as montadoras terão um sistema de distribuição comum que permitirá uma atuação mais abrangente para sua rede de concessionários.
Segundo Schweitzer, o acordo de parceria entre a Renault e a Nissan permitirá uma economia de US$ 3 milhões para as duas montadoras - US$ 600 mil no primeiro ano, US$ 1,1 bilhão no ano seguinte e outros US$ 1,6 bilhão no terceiro ano de atuação.
De imediato, a cooperação das duas montadoras será feita com o uso compartilhado de atuais fábricas. A Renault vai entrar no mercado do México, produzindo seus carros numa plataforma da Nissan. Em dezembro, durante o Salão do Automovel do México, será anunciado qual carro será fabricado. No final do ano 2000, os carros Renault serão vendidos na Austrália, através da rede de concessionárias da Nissan. No mercado do Japão, a Renault quer multiplicar por dez seu volume de vendas (hoje, 3.000 unidades), utilizando a rede de vendas da Nissan, mas, para isso
precisa esperar o vencimento do contrato com a atual empresa importadora.
A fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR) produzirá o Clio 2, em uma versão de três volumes. A informação foi divulgada num press-kit, divulgado pela empresa, sem nenhum comentário por parte da direção da montadora. Extra-oficialmente
a produção esta prevista para começar em junho de 2000. O Clio 2 também passará a ser fabricado na Turquia. Até agora, o modelo era produzido em três fábricas européias (França, Espanha e Eslovênia).
Logo após o anúncio dos planos de atuação conjunta, o presidente da Renault, Louis Schweitzer, disse que a Renault assumirá as operações da Nissan no Mercosul, sem dar mais detalhes sobre a operação. A operação inversa será feita no Japão, com a Nissan assumindo as vendas da Renault. Para isso, no entanto, há dificuldades legais já que há um contrato em vigor dando a representação da montadora francesa para um certo importador.
Sobre as vendas do Scenic no Brasil, que completa seu primeiro ano de comercialização em dezembro, o presidente da Renault disse que os resultados comerciais são bons. Ele lamentou, no entanto, a desvalorização do real em janeiro, que reduziu o potencial do mercado consumidor brasileiro. "O Scenic não é um produto barato, mas tem sofisticação e, sobretudo, inovação; o consumidor brasileiro percebeu isso", afirmou Louis Schweitzer. De acordo com informações da empresa, foram vendidas cerca de 10 mil unidades do Scenic no Brasil de março a setembro deste ano. * A jornalista viajou a convite da Renault-Nissan


