Araraquara (SP), 8 (AE) - A Renault deve divulgar entre os próximos três meses o cronograma de ações previstas para implantar a fabricação de veículos Nissan no Mercosul, afirmou hoje o diretor de Serviços a Clientes da empresa no Brasil, Claude Marceron. Ele esteve em Araraquara para inaugurar a 61ª concessionária da empresa no País.
Segundo Marceron, dentro de dois anos o Mercosul deverá comercializar os primeiros veículos da marca Nissan fabricados na Argentina ou no Brasil. A decisão sobre qual das montadoras da Renault deverá arcar com o projeto deve sair até o mês de junho. "Estamos estudando as vantagens oferecidas em cada uma das montadoras já instaladas", explicou ele.
A Renault adquiriu há duas semanas 36,7% da montadora japonesa Nissan, por US$ 300 milhões, assumindo o controle acionário da empresa. "Ainda é cedo demais para divulgarmos planos de investimentos, mas eles existem e o Mercosul é um mercado potencial", afirmou.
A concessionária da Renault inaugurada por Marceron em Araraquara faz parte dos planos da companhia de conquistar até 3% do mercado nacional de veículos até o final do ano. Segundo Marceron, o objetivo da empresa é chegar ao total de cem pontos de venda no País até o final do ano.
Cada concessionária é responsável pela venda média de 20 veículos. Marceron disse que, segundo levantamento feito pela empresa, a Renault já está ocupando a quinta posição no mercado nacional de veículos com as vendas realizadas este ano.
Ele disse que as vendas praticamente dobraram a participação da Renault no Brasil, que era de 1,3% e hoje já é de 2,4%. "Estamos no mercado brasileiro desde 96 e consideramos a atual posição no mercado dentro de nossas expectativas", afirmou.
Segundo ele, a Renault espera ocupar 7,5% do mercado nacional até o ano 2001, quando a fábrica Ayrton Senna, inaugurada em dezembro do ano passado em São José dos Pinhais (PR) atingir sua capacidade máxima de produção de 120 mil unidades por ano.
"Pretendemos que o Mercosul seja nosso segundo mercado mais importante no mundo, atrás somente da Europa", explicou. Segundo ele, a Renault ocupa hoje 11% do mercado europeu.
Câmbio - A crise cambial que desvalorizou o real frente ao dólar nos últimos dois meses, foi considerada benéfica para a Renault, segundo Marceron, por não terem sido ainda concluídos os investimentos previstos para o Brasil. Do total de US$ 1 bilhão, US$ 680 milhões foram aplicados na unidade paranaense. A expectativa é de um faturamento no primeiro ano de US$ 600 milhões.
"Acabamos tendo condições de dispender menos dinheiro para investir no Brasil, e perspectiva de faturar mais", comentou ele. Na opinião do executivo, o pior da crise já passou. "Se mesmo no período de maiores turbulências conseguimos aumentar nossas vendas, acredito que possamos cumprir as metas previstas para este ano, sem quaisquer alterações", disse.

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