Paris, 26 (AE) - A direção da Renault anunciou hoje, em Paris, na presença de seu presidente, Louis Schweitzer, e do governador do Paraná, Jaime Lerner, o projeto de construção no Brasil, em São José dos Pinhais, de uma nova fábrica para a produção de um veículo utilitário, o Master, lançado recentemente na Europa.
O investimento, de US$ 100 milhões, vai permitir a produção anual de 50 mil veículos. É a terceira unidade da francesa Renault no Paraná. O início das operações será no fim de 2001.
Schweitzer disse que nos próximos três meses deverão ser anunciados outros projetos no Brasil, da Renault e da Nissan, que recentemente fizeram uma associação mundial. Os modelos da marca japonesa hoje são importados.
O governador do Paraná elogiou os resultados da parceria com o Grupo Renault, que ele considerou exemplar até agora. Para ele, "o projeto Renault, que alcança uma nova etapa, constitui um cenário bem montado por homens de grande capacidade".
Lerner lembrou, ainda, que o Paraná pode oferecer qualidade de vida e de mão-de-obra, tornando-se um pólo industrial dos mais atrativos.
Indefinição - Esses projetos revelam o desejo da Renault de desenvolver sua estratégia no Mercosul, apesar das dificuldades atuais desse bloco econômico. Esse é o único aspecto que preocupa o grupo. Schweitzer lembrou que, até agora, o futuro automobilístico do Mercosul não foi definido.
"Não sabemos se vai evoluir para uma liberdade de trocas ou se vamos caminhar para um sistema de cotas", disse. A seu ver, o pêndulo foi paralisado e ninguém sabe qual o caminho que será adotado. Ele espera que, independentemente do sistema adotado, "que seja durável".
O presidente da Renault explicou que o grupo continua concentrando sua estratégia de longo prazo no Mercosul. Mas sua tática, neste momento, é de adaptação, para evitar ficar vulnerável a acidentes de percurso.
A Renault já investiu no Paraná US$ 1,3 bilhão nas fábricas dos modelos Scénic e Clio e de motores. Segundo Schweitzer, os US$ 100 milhões que serão gastos na nova unidade correspondem a um financiamento próprio do grupo.
Perguntado se poderia seguir o exemplo de outras montadoras instaladas no Brasil, que se estão voltando para o mercado de exportação, para enfrentar a queda das vendas, Schweitzer disse não considerar racional exportar veículos do Mercosul para a Europa.
Por isso, suas fábricas estão voltadas para o mercado do Mercosul, mesmo porque a situação da Renault é diferente da das concorrentes. Enquanto seu volume de vendas cresceu em 98 e em 99, aumentando sua participação no mercado, que deve atingir 5% em 2001 e 11% em 2005, as outras montadoras, instaladas há mais tempo no País, têm registrado queda nas vendas. Pelo menos por enquanto a Renault não tem esse problema.

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