São José dos Pinhais, PR, 2 (AE)- A Renault vai deixar de produzir motores na Argentina e concentrar a fabricação deste produto no Brasil, inclusive para abastecer as linhas de montagem do país vizinho. Segundo o presidente da Renault para o Mercosul, Luc-Alexandre Ménard, a atual linha de motores fabricada na Argentina, a C3L, é ultrapassada. Não se trata, porém, de fechamento de fábrica. Segundo Ménard, a operação é uma espécie de departamento onde trabalham 100 pessoas. "Esse pessoal poderá ser aproveitado na própria fábrica de carros da Argentina", disse o executivo.
Carros - A venda de carros e comerciais leves caiu 8% no varejo, em novembro, na comparação com outubro. Os concessionários de todo o País venderam um total de 80.000 unidades. A informação é do presidente da Renault/Mercosul, Luc-Alexandre Ménard. O resultado agrava ainda mais a crise no setor, que enfrenta o problema de excesso de estoques. Outubro já havia sido considerado como um mês ruim. A Renault vendeu, no mês passado, 3.500 veículos, o que lhe garantiu participação de 4,4% no mercado.
No acumulado do ano, a Renault, que tem um ano de produção no Brasil e representa a maior montadora entre as novas marcas, tem 2,3%. O vice-presidente mundial da montadora, Pierre-Alain De Smedt, disse que a companhia pretende ter 10% do mercado brasileiro até 2005.
Ações - A participação do governo paranaense nas ações da Renault do Brasil diminuiu, em um ano, de 40% para 15%. Apesar da intenção do Estado de elaborar um programa para transferir a sua fatia para a iniciativa privada, a queda ocorreu em razão dos novos investimentos da montadora. Segundo o vice-presidente mundial da Renault, Pierre-Alain De Smedt, como não houve participação do governo do Paraná nos últimos aumentos de capital, a fatia do Estado foi naturalmente reduzida. Na França, o governo ainda tem 44% da Renault. O processo de privatização da empresa começou em meados dos anos 90.
Mercosul- O Mercosul vai resistir às crises que rondam alguns setores, como o automotivo. A opinião é do presidente da Renault/Mercosul, Luc-Alexandre Ménard. "O Brasil precisa da Argentina e a Argentina precisa, ainda mais, do Brasil", destacou. O assunto foi um dos temas abordados ontem pela direção da empresa francesa em reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ménard explicou que a Renault tem condições de ter uma balança equilibrada entre os dois países. Ele disse que, como, praticamente todas as montadoras têm fábricas nos dois países, essas empresas precisam organizar a distribuição de modelos por planta, entre os dois países. "Isto é importante para o setor"
destacou.
Pierre-Alain De Smedt, disse que não concorda com a reivindicação dos argentinos de garantir um superávit em veículos para fechar acordo do regime automotivo. "Com a desvalorização do câmbio no Brasil, a balança precisa ficar equilibrada", destacou.

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