São Paulo, 24 (AE) - O presidente mundial da Renault, Louis Schweitzer, anuncia às 17h de quarta-feira (horário de Paris) o projeto de construção de mais uma fábrica no Brasil, a terceira da marca no País. O valor do investimento vem sendo guardado em sigilo pela companhia, assim como detalhes do modelo do veículo que será produzido - um utilitário que já é vendido na Europa com o nome de Master.
A reunião de quarta-feira contará com a presença do governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), que vai a Paris para ouvir o executivo francês anunciar que a fábrica nova também será erguida em São José dos Pinhais, ao lado dos prédios de automóveis e de motores.
A primeira fábrica de veículos - na qual foram investidos US$ 1 bilhão - começou a operar em dezembro de 1998 produzindo o Scénic, uma minivan diferenciada que agradou ao consumidor brasileiro. Pouco menos de um ano depois, a Renault começou a produzir no Brasil o Clio, um carro compacto.
Em dezembro passado foi inaugurada a fábrica de motores, que consumiu US$ 200 milhões. Esta planta tem capacidade maior do que a própria linha da Renault pode absorver. O prédio foi projetado para grande volume de produção visando o mercado de exportação e outros clientes - como a também francesa Peugeot, com a qual a Renault já firmou contrato para fornecer o motor do modelo Peugeot 206, que será fabricado no Rio de Janeiro ainda este ano.
Com a fabricação de um utilitário, a Renault ingressará num segmento importante no mercado brasileiro. Trata-se de uma espécie de furgão. O que já roda na Europa tem capacidade para carregar até 3,5 toneladas de carga. Mas os planos não param por aí. Com a compra da Nissan, o Brasil poderá ter em breve uma linha da marca japonesa. O presidente da Nissan, Carlos Ghosn, confirmou no início do mês, em Detroit, que o Brasil receberá "novidades do resultado da fusão Renault/Nissan até o segundo semestre".
A Renault ocupa a quinta posição no mercado brasileiro, a primeira logo após as quatro veteranas - Volkswagen, Fiat, General Motors e Ford. Mas avança numa velocidade que leva muitos a apostarem que a marca pode facilmente ultrapassar a Ford, no quarto lugar.
Um dos motivos que levaram esta empresa a crescer mais rapidamente que as outras recém-chegadas foi a sua capacidade de instalar uma ampla rede de concessionários. Eram pouco mais de 30 credenciados há um ano. Hoje são 100 e até o final do ano a rede somará 150 distribuidores.
Mas o ponto forte da marca francesa em relação aos japoneses, que chegaram antes - Honda e Toyota -, foi a rapidez na nacionalização dos seus produtos. Com a instalação de fábrica de motores própria, a montadora ficou menos dependente das importações e, por isso, sofreu menos com a forte desvalorização do real no início do ano passado.

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